Tornar-se insurgente
é inventar-se,
como obra de arte.
É descobrir-se outro,
desvelar-se como ausência,
ficção, simulacro.
É provar a estranheza
de não pertencer a si mesmo.
É quase não ser, desacontecer,
não acreditar, não saber,
até se perder de vez do mundo.
Tornar-se insurgente é fugir,
escapar,
recusar todas as alternativas,
declinar, desaparecer, sonhar,
superar, de vez, toda ilusão de humanidade.