domingo, 25 de janeiro de 2026

A MORTE COMO ACONTECIMENTO

Toda morte é um fim do mundo
irredutível a banalidade da vida,
um absurdo natural
que reduzimos a um fato social.

Morrer é bom que nos define
no tempo do mundo
e entre as coisas.

sábado, 24 de janeiro de 2026

ÚLTIMA NOITE

Talvez a morte 
me espere
na manhã seguinte
e eu não esteja aproveitando 
minha última noite.

Talvez seja tarde demais
para o futuro.
Ninguém sabe...

O ABSOLUTO DA ESCURIDÃO

Não há eternidade,
ancestralidade
ou qualquer outra metafísica
que nos livre da morte.

Há o nada, antes e depois de nós,
engolindo o tempo e apagando o espaço.

A vida é  um acidente,
 um acaso e um ocaso,
contra nossa vaidosa imaginação.

O universo não é nosso,
divino ou humano,
mas uma silenciosa e fria escuridão.



quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

A EXISTÊNCIA COMO ILUSÃO DE UM ETERNO RETORNO

Há uma pathos 
que se confunde
com a existência 
através da consciência.

Trata -se de nossa 
absurda necessidade 
de criar princípios,
propósitos e objetivos.

Inventamos esferas
e cosmos,
verdades e quimeras,
para suportar a brevidade da vida.

Acreditamos
no eterno retorno
de um instante 
que nos escapa
reduzindo a existência 
a falsa eternidade
 de um permanente recomeço.



sábado, 17 de janeiro de 2026

A VIDA SEGUE

A vida segue.
Não importa quem vive,
quem nasce ou quem morre.

A vida segue,
independente do justo, 
do certo e do errado.

A vida segue
e nada é determinado.
Tudo é incerto, 
injusto e obtuso.

A vida segue
enquanto você morre.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

MORTE E MEMÓRIA


A memória é onde a gente existe.
A memória  não é fato,
é matéria de tempo e espaço,
 vestígio, indício,
ficção que adivinha,
o que  um dia já foi realidade.

A memória é onde existimos.
Mas só há memória 
onde aflora o esquecimento,
onde tudo é breve.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

FINITUDE

A gente não existe
para a felicidade.
A gente existe
para envelhecer
e morrer um dia.
Está é toda nossa
trágica realidade,
nossa anti poesia,
 nossa mansa agonia.

RETIRANTE


Não sei para onde vamos,
mas é preciso seguir,
fugir do passado,
do futuro e do agora.

É preciso ir embora.
Esquecer,
querer,
não  ter medo de morrer.
Continuar, de alguma forma.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

FUTUROLOGIA


Tudo que sei sobre o amanhã 
é que estarei morto.
Nada no futuro me diz respeito.

Apesar disso, 
quando penso em tempos vindouros,
imagino outros mundos,
outras vidas e inimaginadas possibilidades.
Talvez o futuro seja o inteiramente outro
do nosso longo passado.
Quem sabe?




sábado, 10 de janeiro de 2026

O SOLITÁRIO ANDANTE


Meus passos não tem caminho,
pois não busco qualquer destino.
Sou um humilde vagabundo,
um desgarrado da humanidade,
sem fé, sem razão ou identidade.

Estou sempre, por aí,
seguindo sozinho.
A espera da morte
ou de qualquer novidade.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

TORNAR-SE INSURGENTE


Tornar-se insurgente
é inventar-se,
como obra de arte.
É descobrir-se outro,
desvelar-se como ausência,
ficção, simulacro.

É provar a estranheza
de não pertencer a si mesmo.
É quase não ser, desacontecer,
não acreditar, não saber,
até se perder de vez  do mundo.

Tornar-se insurgente é fugir,
escapar,
recusar todas as alternativas,
declinar, desaparecer, sonhar,
superar, de vez, toda ilusão de humanidade.

sábado, 3 de janeiro de 2026

QUESTIONAMENTOS



Sejemos sinceros:
A vida não passa de um sonho
dentro de um sonho
mesmo em um   mundo
 desfeito em   pesadelos.

A realidade é um grande delírio.
Mas a verdade é um cisco no olho
contra a nitidez de qualquer crença.