quarta-feira, 22 de julho de 2026

A VIDA NOS SUPERMERCADOS

Tenho frequentado supermercados,
Sucumbido ao consumo fútil e desnecessário 
de pequenas coisas inúteis.

Assim vou levando uma existência  de plástico, biodegradável, 
até  o certo fim dos meus dias.

O efêmero define o cotidiano,
a banalidade de nossas rotinas 
e o tempo perdido em supermercados, 
onde a própria vida se torna mercadoria. 



terça-feira, 21 de julho de 2026

MORTE E TRABALHO

Não sou o apêndice 
de qualquer atividade laboral.
Não sou o que faço para sobreviver.

Não sou o salário, o cansaço,
ou essa angústia.

Não o consumo,
o dinheiro que não tenho
e a certeza do fim do mundo.

Sou o tempo que me falta
para, simplesmente, viver.
Sou a vida que me escapa
no trabalho que me mata.

terça-feira, 14 de julho de 2026

TUDO QUE MAIS ME IMPORTAVA

Tudo que mais me importava,
tudo que eu mais amava,
hoje  não existe mais...

É  passado, ausência, lembrança,
e NADA...

Tudo que mais me importava
não faz mais sentido.
É como  água perdida num rio,
é um vazio,
é tudo que passa...
É nada mais do que NADA.


sábado, 11 de julho de 2026

QUANTO TEMPO?

Quanto tempo falta
para o tempo perder
a importância?
Para a vida se reduzir
a sua completa insignificância?

Quanto tempo até a gente 
perder de vez a esperança?

Quanto tempo até a morte
comer o meu corpo
e todas as minhas lembranças?


sábado, 4 de julho de 2026

TODOS OS PASSADOS SÃO IGUAIS

Todos os passados
são  iguais.
São uma composição caótica de lembranças,
de borrões e sombras.

O passado só  existe como silêncio,
esquecimento,
extrapolando o tempo,
a vida e o pensamento.

O passado é  a morte dentro de nós. 
Todos os passados são  iguais.











 




quinta-feira, 18 de junho de 2026

MORTE E NÃO SER


Morrer é  não ser,
é  não  acontecer,
dissolver-se em tudo
que há  e será. 

Morrer é  ser na ausência,
 no silêncio e na saudade
dos que permanecem morrendo
no tempo e no espaço. 



quinta-feira, 11 de junho de 2026

QUASE FIM DO MUNDO

É  quase fim de semana,
quase fim do mundo,
quase fim da vida.

É  quase silêncio,
quase precipício. 
Quanto tempo nos resta,
nos falta, nos carrega?

A eternidade cabe hoje
no labirinto de um segundo.
É  quase fim do mundo,
viva a poesia, a morte e o absurdo.