domingo, 1 de novembro de 2026

A ARTE, O ARTISTA, A SORTE E A MORTE

Todo artista acredita
que criar é aprender a ser livre.
Mas a arte tão longa quanto breve é a vida.
Assim, a finitude faz do artista um anarquista,
que desafia a autoridade da sorte, 
da doença e da morte,
que lhes perseguem em comitiva.


EMBRIAGUEZ SOBERANA

Bebo ao tempo que me mata
e a eternidade que me escapa.

Bebo a finitude, ao anonimato
e a minha insignificância. 

Bebo aos meus mortos,
a vida dos outros e
a minha morte.

Bebo porque sou nada,
porque me falta sorte.

O SILÊNCIO EM NOSSAS PALAVRAS

Só  o silêncio pode dizer o vazio de nossas palavras.
Um silêncio que traduz o tempo que passa no corpo que envelhece,
que nos mata na memória  que se perde.
Um silêncio tão  absoluto que apaga todas as verdades e discursos,
tão  profundo que supera a vida como simulacro que nos esclarece. 

Há  um silêncio crescendo em nossas palavras,  adoecendo o dito e o escrito,
a representação e o simulacro que nos transposta a existência. 







terça-feira, 6 de outubro de 2026

A REVOLTA É O QUE AJUDA O TEMPO A PASSAR


A revolta  é  o que nos faz agir
contra a rotina, o conformismo, 
contra a esperança e a realidade. 
É o que nos leva a arriscar, ousar,
a não ter medo da lutar, de mudar.

Ela é  o que nos une,
 o que transborda frente ao intolerável. 
É  nossa raiva armada e organizada.
É  o que nos faz recusar o que nos tornamos.
É  o que ajuda o tempo a passar...










sexta-feira, 11 de setembro de 2026

AGOSTO

Tenho imaginado minha morte,
o definitivo fim de toda minha sorte,
em uma manhã qualquer de agosto.

Tenho avistado meu último ato,
minha modesta despedida,
em um dia frio e chuvoso,
sem sorte no calendário 

Tenho imaginado,
quase sonhado,
com meu último suspiro
nos idos do próximo agosto
em um dia mediocre e ordinário. 


















LUTE POR LIBERDADE

Lute contra o futuro, o cotidiano,
o emprego, o salário,
contra o Capital e o Trabalho.

Lute por liberdade.
A vida é curta.
Abaixo o Estado.

Precisamos de outra realidade
contra a norma, a angustia,
o fascismo, o céu e a verdade.

A vida é curta.
O hoje nos mata.
Lute por liberdade. 












sábado, 22 de agosto de 2026

SOU APENAS UM CORPO QUE MORRE

Sou apenas um corpo
preso a um tempo
e a um espaço. 

Um corpo que diz silêncios,
que inventa afetos e memórias
fechado na fantasia
de sua pequena existência.

Um corpo que quase não sabe de si
entre tantos outros.
Um corpo classificado pela cor da pele, reduzido a estatística,
mão de obra barata e a uma conta no banco.

Um corpo que sente, 
que come, caga, fala
e morre preso a uma tempo
e a um espaço que o apaga e consome.