quarta-feira, 19 de agosto de 2026

IRRELEVÂNCIA E FINITUDE

Quase tudo que faço  é  descartável,
inútil e banal.
Quase tudo que penso, digo ou quero
é fútil.
Não  vejo, portanto, razão  para desejar eternidades quando tudo que me envolve é  materia digna de esquecimento. 
O fim é  o melhor destino de uma vida consagrada a colecionar insignificâncias. 
A morte é, no final das contas,  o que há  de mais justo na existência diante de nossa cotidiana irrelevância. 

sábado, 15 de agosto de 2026

PROVOCAÇÃO NIILISTA

Não  nos intimida o moralismo cristão,
as normativas do senhores da razão,
e pregações dos guardiões  da sagrada Verdade.

Nossa meta é a troça e a  diversão. 
Rimos de tudo que é sério,
do que é respeitável,
do que é  bom e belo.
Não reconhecemos a autoridate dos doutos,
dos governantes e dos legisladores.

A vida não  vale qualquer discussão
ou recomendação da boa razão.  
Afinal, o futuro é  a morte
e, um pouco mais adiante,
já se anuncia o merecido fim da civilização. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

EU ACREDITO NA RAIVA E NA LUTA

Eu acredito no desvio,
na fuga e na angustia.

Eu aposto no desespero
de quem não vê  saída
e ousa a recusa.

Eu acredito no tudo ou nada,
na força da rua que transborda
em raiva.

Sei que a dor,
a necessidade e a revolta,
é o que alimenta e inspira a luta.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

SINGULARIDADE E FINITUDE


Tudo que é eterno é  medíocre, insignificante.
Pois é a morte  o que torna a vida interessante.

O que passa é  raro, singular e fecundo.
Tudo que morre é  sublime, tragico e único.

Maravilhosa é a fragilidade deste puro instante que sustenta, provisoriamente, 
a vida na incerteza do tempo e do espaço.

Dentro de mim tudo é distante.
Tudo é  outro neste corpo
que logo estará morto.



quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A MORTE MISTERIOSA

Havia uma morte oculta
no fundo da xícara de café.
Era uma morte sem objeto.
Ela não matava ninguém. 
Ainda assim era uma morte
dentro da vida de alguém. 

terça-feira, 28 de julho de 2026

ENTRE O FIM DO DIA E O FIM DO MUNDO

Entre o fim do dia e o fim do mundo 
uma esperança  me surpreende sorridente.
Pena que ela não dure para sempre
entre as ruinas do tempo presente.

O desastre se espalha entre o passado e o futuro.
reduzindo o tempo a uma infinita catastrofe
natural e humana.

É  tarde. 
É muito tarde para ter esperança.
O deserto já  engoliu a paisagem
entre o fim do dia e o fim do mundo.



sábado, 25 de julho de 2026

A BANALIDADE DA MORTE

A morte é  banal,
cotidiana e insana.

Todo dia a vida termina
pra tanta gente
que ninguém sabe, afinal,
o tamanho da morte,
enquanto acontecimento social.

Onde há  vida,
a morte é  soberana.