quinta-feira, 13 de agosto de 2026

EU ACREDITO NA LUTA

Eu acredito no desvio,
na fuga e na angustia.

Eu aposto no desespero
de quem não vê  saída
e ousa a recusa.

Eu acredito no tudo ou nada,
na força da rua que transborda
em raiva.

Sei que a dor,
a necessidade e a revolta,
é o que alimenta a luta.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

SINGULARIDADE E FINITUDE


Tudo que é eterno é  medíocre, insignificante.
Pois é a morte  o que torna a vida interessante.

O que passa é  raro, singular e fecundo.
Tudo que morre é  sublime, único.

Maravilhosa é a fragilidade deste puro instante que sustenta, provisoriamente, 
a vida na incerteza do tempo e do espaço do corpo que um dia me fará morto. 

Tudo que existe é longe, 
dentro de mim  distante.



quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A MORTE MISTERIOSA

Havia uma morte oculta
no fundo da xícara de café.
Era uma morte sem objeto.
Ela não matava ninguém. 
Ainda assim era uma morte
dentro da vida de alguém. 

terça-feira, 28 de julho de 2026

ENTRE O FIM DO DIA E O FIM DO MUNDO

Entre o fim do dia e o fim do mundo 
uma esperança  me surpreende sorridente.
Pena que ela não dure para sempre
entre as ruinas do tempo presente.

O desastre se espalha entre o passado e o futuro.
reduzindo o tempo a uma infinita catastrofe
natural e humana.

É  tarde. 
É muito tarde para ter esperança.
O deserto já  engoliu a paisagem
entre o fim do dia e o fim do mundo.



sábado, 25 de julho de 2026

A BANALIDADE DA MORTE

A morte é  banal,
cotidiana e insana.

Todo dia a vida termina
pra tanta gente
que ninguém sabe, afinal,
o tamanho da morte,
enquanto acontecimento social.

Onde há  vida,
a morte é  soberana.


quarta-feira, 22 de julho de 2026

SUPERMERCADO


A vida é o que se compra  no supermercado.

Assim vou levando uma existência  de plástico, biodegradável, 
até  o certo fim dos meus dias.

Vou me alimentando de carne congelada,
comida processada e nacos de pão barato.

Tenho pouco dinheiro para gastar no supermercado
 enquanto tudo apodrece 
no fluxo das  mercadorias
em tempos de carestia.











terça-feira, 21 de julho de 2026

MORTE E TRABALHO

Não sou o apêndice 
de qualquer atividade laboral.
Não sou o que faço para sobreviver.

Não sou o salário, o cansaço,
ou essa angústia.

Não o consumo,
o dinheiro que não tenho
e a certeza do fim do mundo.

Sou o tempo que me falta
para, simplesmente, viver.
Sou a vida que me escapa
no trabalho que me mata.