terça-feira, 28 de abril de 2026

ESQUECIMENTO


Mora em mim um passado,
uma história que aos outros não  importa,
mas que é  tudo que tenho na contramão  do tempo.

Um dia irei desaparecer neste passado
e tudo que fui será no vazio do   esquecimento. 

sábado, 25 de abril de 2026

FÍSICA, DELÍRIO E EXISTÊNCIA

Sou este corpo,
essencialmente um espaço,
um lugar em movimento no mundo.

Sou um ponto cego em um universo
que não  sabe de si,
cujo existir é  incerto,
pois a consciência inventa tudo.

Sei que o que é  grande também  pequeno.
Não  há medida para o absurdo,
Nenhuma meio de saber
se o que existe é  de fato um mundo.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

LEITO DE HOSPITAL


É  impossivel 
fugir a rotina,
inventar novidades,
ir além do momento.

Sei que estou condenado
as circunstâncias
que me turvam a existência.

Afinal, a vida é esta inércia,
quando só interessa ir embora.
É  não  poder ir lá  fora...



sábado, 18 de abril de 2026

VIDA CURTA

Não  espero nada de ninguém.
Me basta ter o coração  livre e
a cabeça leve 
para buscar meu fim
através  da vida.

Não  quero ser nada.
Não  almejo alcançar as estrelas.
Tudo que me importa é
 ter uma boa morte
e uma vida curta
no fundo raso das coisas.



segunda-feira, 6 de abril de 2026

TEMPO, MEMÓRIA E ANGÚSTIA

Não  posso evitar
ou adiar
o fim deste instante
onde me abrigo do tempo
no efêmero prazer 
de um simples momento.

Não posso torná-lo eterno.
Só  posso sofrer sua memória 
como uma ferida aberta na consciência. 

Assim, minha existência segue   feita de muitas ausências e silêncios. 
Afinal, não posso parar o tempo.


sexta-feira, 3 de abril de 2026

MEMÓRIA E NOSTALGIA

Memória e nostalgia,
são um peculiar sentimento de ausência 
onde o sonho ganha a forma
do que se foi.

Somos feitos de perdas,  
lembranças e saudades eternas, 
do luto que se confunde com a vida.

Eis o que o peso dos anos nos ensina:
A vida é  o que passa.
Os mortos não  ressuscitam.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

A MORTE COMO DESTINO



Talvez, no proximo segundo,
meu corpo se torne,
finalmente, coisa morta,
a ser descartada e esquecida,
como os afetos e memórias 
que me definem a vida e o chão. 

A morte é nosso destino na contramão dos dias.
Não  há eternidade, posteridades metafísicas,
céu ou inferno que nos perpetue.
Há apenas o vazio de antes do nascimento,
o depois de tudo,
nossa definitiva ausência,
o fim do caminho e da existência. 
Eis o que nos ensina a prisão  de um leito de hospital.