sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A MORTE COMO METÁFORA

Tenho imaginado minha morte,
o definitivo fim de toda minha sorte,
em uma manhã qualquer de agosto.

Tenho avistado, ali, minha morte
como se o  tempo fechasse meu corpo
nos idos do próximo agosto.

Tenho na fantasia da  minha morte
uma experiência tão intensa
que a extrapolo como mero acontecimento.





LUTE POR LIBERDADE

Lute contra o futuro, o cotidiano,
o emprego, o salário,
contra o Capital e o Trabalho.

Lute por liberdade.
A vida é curta.
Abaixo o Estado.

Precisamos de outra realidade
contra a norma, a angustia,
o fascismo, o céu e a verdade.

A vida é curta.
O hoje nos mata.
Lute por liberdade. 












sábado, 22 de agosto de 2026

SOU APENAS UM CORPO QUE MORRE

Sou apenas um corpo
preso a um tempo
e a um espaço. 

Um corpo que diz silêncios,
que inventa afetos e memórias
fechado na fantasia
de sua pequena existência.

Um corpo que quase não sabe de si
entre tantos outros.
Um corpo classificado pela cor da pele, reduzido a estatística,
mão de obra barata e a uma conta no banco.

Um corpo que sente, 
que come, caga, fala
e morre preso a uma tempo
e a um espaço que o apaga e consome.









sexta-feira, 21 de agosto de 2026

DIA, AGONIA E UM OUTRO LUGAR QUALQUER




A rotina morta 
anuncia o deserto
do novo dia.

O tempo é agonia,
o pensamento é  dor 
e o sentimento preguiça. 

A vida acontece
em outro lugar
muito longe 
daqui e agora.

Um lugar onde a rotina
não  é  morta,
onde o dia tem cheiro de jardim
e a gente se diverte fazendo bolhas de sabão. 

O dia foge a rotina
onde imaginações reinventam infâncias
e reconfiguram o cotidiano
desenhando o inédito de uma profunda revolução
transformando o mundo em um outro lugar qualquer.





quarta-feira, 19 de agosto de 2026

IRRELEVÂNCIA E FINITUDE

Quase tudo que faço  é  descartável,
inútil e banal.
Quase tudo que penso, digo ou quero
é fútil.
Não  vejo, portanto, razão  para desejar eternidades quando tudo que me envolve é  materia digna de esquecimento. 
O fim é  o melhor destino de uma vida consagrada a colecionar insignificâncias. 
A morte é, no final das contas,  o que há  de mais justo na existência diante de nossa cotidiana irrelevância. 

sábado, 15 de agosto de 2026

PROVOCAÇÃO NIILISTA

Não  nos intimida o moralismo cristão,
as normativas do senhores da razão,
e pregações dos guardiões  da sagrada Verdade.

Nossa meta é a troça e a  diversão. 
Rimos de tudo que é sério,
do que é respeitável,
do que é  bom e belo.
Não reconhecemos a autoridate dos doutos,
dos governantes e dos legisladores.

A vida não  vale qualquer discussão
ou recomendação da boa razão.  
Afinal, o futuro é  a morte
e, um pouco mais adiante,
já se anuncia o merecido fim da civilização. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

EU ACREDITO NA RAIVA E NA LUTA

Eu acredito no desvio,
na fuga e na angustia.

Eu aposto no desespero
de quem não vê  saída
e ousa a recusa.

Eu acredito no tudo ou nada,
na força da rua que transborda
em raiva.

Sei que a dor,
a necessidade e a revolta,
é o que alimenta e inspira a luta.