terça-feira, 16 de setembro de 2014

A MORTE COMO CERTEZA

Se a morte é a única certeza e  consequência do existir  da gente,
Me pergunto qual o lugar da vida em meio a este conjunto quase infinito de  incertezas que definem a condição humana..

Eis aqui uma questão que nenhuma filosofia ou religião do mundo responde de maneira satisfatória ou definitiva.

Apenas nos resta seguir pela sucessão de dias e   noites sem o conforto de um mínimo alívio de consciência.

O PROVISÓRIO DE EXISTIR

Morremos a cada dia.
Desfalecemos a cada realização.
Nos desfazemos em cansaços e renovações.
O futuro jamai chegará.
Tememos apenas o dia seguinte.

Mas seguimos  em frente...
O mundo é maior
Que qualquer vida
Que a gente viva.
Nos contentamos com

O provisório de existir.

TEMPO PESSOAL

Não acredito em relógios.
O tempo é sempre indeterminado e efêmero
nas infinitas variações de um só momento
estendido entre o nascimento e a morte.
Não importam as mudanças, os fatos,
Viver é um sentir de coisas
Que não varia,
Que se perpetua até perder-se
De si mesmo
No desfalecer do corpo
Que o sustenta.
Viver é um sentimento das coisas
Que não cabe em qualquer

Definição de vida.

domingo, 14 de setembro de 2014

O TEMPO DOS MORTOS

O passado é de muitas maneiras
O tempo dos mortos.
O presente é onde ouvimos seus ecos,
Onde nos fazemos nas ausências
E eranças daqueles que nos deixaram.
Nosso futuro será sempre feito
De nossos mortos

E de nossos passados.

O TÉDIO DO DIA SEGUINTE

Quantas manhãs preuiçosas e provisórias
Já passaram ´por mim ao longo dos anos?
Não me recordo da maioria delas.
Poucas me serviram para recomeçar
Qualquer coisa.

Via de regra
Elas inauguram apenas
O massante de  mais um dia
Na reedição de velhos problemas.
Apenas medem
O tamanho do meu cansaço

E do meu sentimento de quase morte.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

QUASE VIDA





Não sei se morro aos poucos
Ou se nunca vivi a vida.
Meu passado é tão pouco
Que não sustenta futuros.
O agora esta quase todo lá fora
E muito pouco
Aqui dentro
No absurdo de existir

Aqui e agora.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

PÓS VIDA


Tenho medo da morte.
Mas mais medo, ainda,
da hipótese metafísica
de uma vida depois da morte.
Perpetuar pela eternidade
minha existência
é o mais terrível
dentre todos os pesadelos.