quinta-feira, 7 de novembro de 2019

BIOGRAFIAS

E tudo se resume nisso:
Depois que a criança 
Agoniza e morre
Dentro da gente,
Apodrecemos como adultos
Até que a morte nos enterra
Velhos e desfigurados. 
Ninguém,
absolutamente ninguém,
Sobrevive a própria infância. 

A FORMIGUINHA



Ninguém presta atenção na formiguinha que atravessa a parede como quem explora um novo continente. Mas, ironicamente, somos todos como aquela  formiguinha.  O drama da nossa existência é também uma absoluta nulidade na microfísica de nossa duvidosa realidade

A  humanidade inventa-se importante quando toda a sua história não passa de um grande nada.



quarta-feira, 6 de novembro de 2019

A BANALIDADE DA MORTE

Até  as estrelas morrem.
No universo
A morte é  um espetáculo banal
E vazio de significado.

Vida e morte definem a ordem do caos,
A dança  do ser e do não  ser.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

SOBRE A BANALIDADE DA EXISTÊNCIA

A ilusão  de sentido  que inutilmente nossa consciência coletiva  tenta impor a vida,  impregnando-a de valor, torna a morte insuportável. 

Existimos para o nada. Tudo que realizamos é  nada.  Nenhuma virtude define a existência. Morrer é  um fato banal.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

DESAPARECIMENTO


Não sei se é o tempo que passa
ou se simplesmente sou eu
que me perco de mim mesmo
no ato de quase ser
este corpo,
este pensamento,
enterrado na paisagem
que nunca é a mesma.
só sei que tudo realiza
um desaparecimento.


sábado, 2 de novembro de 2019

A MORTE COMO META

Uma boa morte
É tudo o que esperamos
Como resultado
De uma vida inteira.
Mas poucos são  dignos
De ima grande morte 
Por não alcançar 
As últimas consequências
De sua própria existência.


sexta-feira, 1 de novembro de 2019

MEMÓRIA DO ESQUECIMENTO


Quantas histórias escritas na casa de quintal
foram perdidas,
apagadas pelo tempo,
e enterradas com seus mortos?

Quantos silêncios pesam naquele endereço?

A vida segue ingrata.
Descarta o passado
buscando sempre a novidade do agora.

O esquecimento é a matéria prima do presente.
Pouco importa nossas lembranças...