segunda-feira, 13 de outubro de 2025

MEU ÚLTIMO INSTANTE

Meu último instante
 há de coroar 
a insignificância de uma vida inteira. 

 Será efêmero e ilegivel,
 indigno de qualquer lembrança. 

 Meu último instante 
será, apenas, silêncio.

PASSADO PERDIDO



Talvez, a vida
seja um passado
que ainda não foi esquecido.
Apenas isso.

O tempo é a morte
que transforma o espaço 
inventando  ausências.

Tudo é mudança,
perda, e, por fim,
esquecimento.

Talvez, a vida seja,
desde sempre,
um passado perdido
já que o amanhã  
nunca será para sempre.





quinta-feira, 9 de outubro de 2025

SATÃ COROADO DE FLORES

Satã coroado de flores
anuncia orgias e primaveras,
colheitas, gozos e festas.

Satã coroado de flores
aguarda por todos
no interior da floresta.

Pois sabe
que a vida é intensa 
onde a morte é certa.

sábado, 6 de setembro de 2025

MORTE E GEOGRAFIA

Passamos a considerar uma profunda melancolia em toda geografia quando percebemos que os lugares morrem. Mas eles morrem de um modo onde é a presença que remete a ausência. O tempo mata todos os lugares e, entretanto, eles continuam ali, imponentes, contra seu próprio passado e na contramão da história.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

DA INCONSISTÊNCIA DE SER

Sou o passado que morrerá comigo,
as pessoas que perdi,
os momentos que esqueci,
e a ilusão de um encadeamento linear dos fatos
onde tudo é aleatória descontinuidade.

Sou onde tudo foge,
onde a vida escapa,
onde perto é longe.

Carrego muitas lembranças 
que jamais se tornarão memórias
na desconstrução da História.

terça-feira, 26 de agosto de 2025

DEPOIS QUE VOCÊ MORREU

O passado nunca mais foi o mesmo
depois que você morreu.
Parte de mim, então, se perdeu no tempo,
desapareceu afogada em lembranças e desesperanças.

Tudo que o mundo poderia ser
morreu com você.
O que sobrou de mim 
não sustenta um amanhã
ou a potência de qualquer querer.






quarta-feira, 13 de agosto de 2025

AOS POUCOS MORREMOS

O céu lá fora
 não cabe nos olhos
enquanto o tempo passa 
contra a paisagem.

Agora é quase por do sol....
Aos poucos morremos 
e não há nada que possa ser feito
sobre isso.

A vida é um erro que não  tem concerto
e o céu lá fora nunca é o mesmo.

A vida não cabe no agora,
no céu, na paisagem ou nos olhos.

Aos poucos morremos...
e é só isso.
Viver é um inútil exercício de si,
do mundo e dos outros.