terça-feira, 29 de dezembro de 2015

QUANDO EU MORRER QUERO SER VINHO

Quando eu não ser,
Quando eu morrer,
Sejam todos por mim,
Ah, meus amigos!
Revivam e vivam
O possível e o impossível
Dos meus curtos dias.
Não tenham limites,
Não sejam brandos ou sensatos.
Façam de mim uma tempestade viva

Como o efeito de muitas garrafas de vinho.

MATURIDADE

Depois de certa idade tendemos a projetar o melhor da vida no passado.
Não que fossemos realmente mais felizes antes.
Apenas nos tornamos mais complexos e menos ingênuos diante da existência.
Já não somos capazes de enxergar as coisas de modo simples,
Sofrer generosamente as experiências cotidianas
Apostando sempre nas melhores possibilidades.
Com o tempo sentimos o peso de nossa finitude
E a inutilidade  das realidades e afazeres cotidianos.
Aprendemos que podemos esperar muito pouco de tudo.

E tentamos nos conformar com isso.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

INCERTO ANO NOVO

Os anos passam dentro da gente
Enquanto o mundo segue seu rumo,
Desgovernado e incerto
Em direção ao eterno presente
De nossos desejos e angustias.
As ansiedades esclarecem o futuro
Que nunca chega e espreita
O passado como quimera.
Quem diz onde o ano termina
Quando minha vida não cabe no calendário?
Bem sei que não haverá ano novo.
Apenas o dia seguinte de sempre,
Carente de novidades
Que não seja o se perder das coisas

Através do tempo que nos devora.

domingo, 27 de dezembro de 2015

FIM DE ANO, QUASE FIM DE TUDO



A todos os mortos
Que um dia celebraram
 O fim do ano
Deixo aqui minha agonia
de ano novo,
minha intuição de limite,
minha consciência de finitude,
a saudade de todos aqueles
que perdi.

MORTE E ESQUECIMENTO

Não posso prever o quanto serei lembrado
E como , aos poucos, serei  esquecido,
Até desaparecer da memória dos outros
Como se nunca tivesse existido.
Mas este é para todos
O mais certo destino.
Somos soterrados pelo tempo.
existir é apenas um desencontro,
um descuido do nada absoluto.
Morrer é como a correção de um erro.
De nada adianta lutar contra isso....

A morte é o eu nos define.

sábado, 19 de dezembro de 2015

A MENTIRA DA VIDA

Preciso contar um segredo:
Eu não existo.
Desde o meu nascimento
Já estou morto.
Tudo que faço e digo
Não passa de sombra
Da minha fundamental inexistência.
Não se espante.
Todos nós não existimos.
Isso tudo que chamam de vida

É uma mentira.

O PASSAR DAS COISAS

Os anos passaram,
Muitos morreram,
Os lugares mudaram
E tudo aquilo que era cotidiano
E certo
É  agora um sonho distante.

Qualquer ato humano
É insignificante....
No passar incessante de todas as coisas.