quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

LIBERDADE E DEVIR


Tudo muda,
Até  a mudança muda.

Não há  ordem ou autoridade
Que seja mais forte
Do que o devir
Que tudo transforma.

A liberdade
Está na certeza
De ser outro
Contra as inércias da verdade
e da realidade concreta das formas.



quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

AMANHÃ É SEMPRE TARDE DEMAIS

Morrerei esperando um futuro que nunca saberá  de mim. Serei enterrado com minhas expectativas e eternas esperanças de felicidade na vala comum do tempo presente, em sua banal insanidade. 

O silencio da sepultura é o natural destino de nossas ambições e conquistas. Nunca confie no amanhã. 


segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

APROVEITE A VIAGEM



Nascer e morrer escapam ao nosso controle.
A vida é em nós uma estrangeira,
uma passageira sem destino ou propósito,
que, enquanto não nos descarta,
aproveita, através de nós,  a viagem.

DEFINIÇÃO DE ANGUSTIA



Angustia não é agonia.
Muito menos falta.
Ela é qualquer espécie
de subtração
que deixa a gente
mais estreito,
menor diante da vida.
Ela é um sentir-se,
Uma limitação do ser.

sábado, 25 de janeiro de 2020

GRATIDÃO

Alguma coisa misteriosa e intensa morreu no instante em que nasci.
Foi contra sua memória que vivi
Para lhe retribuir o sacrifício
Alcançando o espanto
Da minha própria morte.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

RECOMENDAÇÕES PÓSTUMAS




Não quero morrer  em um leito qualquer de hospital.
Prefiro deixar a vida no conforto do meu velho quarto.
Partir sereno, como quem dorme.

Nada de enfermeiros, médicos ou do ridículo da extremunção!
Não quero cerimonias e despedidas.

Minha morte é algo que apenas a mim diz respeito.
Dispenso o luto,
as flores e o choro,
que nunca recebi em vida. 

Ninguém há de findar comigo!
Portanto, deixem-me morrer sem alma
e livrem-se, o quanto antes,
do meu corpo inutil.

DA INSIGNIFICÂNCIA DE ESTAR VIVO


A vida não nos brinda com qualquer superioridade sobre as formas inorgânicas. A insignificância é o mais preeminente traço da condição de vivente. Um pouco de bom senso é suficiente para  qualquer um perceber que, tudo que é manifesto, não passa de um provisório arranjo de moléculas.
Nada realmente existe. Eis a verdade. Nisto se resume toda filosofia ainda possível.