sábado, 12 de setembro de 2015

O VELHO BARDO

E o velho bardo no coração da antiga  floresta
Escutava o vento enquanto se afogava no tempo
E aprendia a inutilidade da vida
Entre as arvores
Confundindo-se com as pedras.
Desencontrado dos outros
Desconstruía a si mesmo...


ENTRE O PASSADO E O VAZIO

Penso que o passado significa apenas que as coisas desacontecem  e ficam na memória como a lembrança de qualquer sonho distante.
É como se a existência tivesse pouca realidade.Pois tudo se desfaz, a vida é descontínua, quase
Um delírio. Por isso dou pouco valor ao vivido, a experiência imediata do aqui e agora. Sei que tudo é provisório e incerto.

Sou apenas este corpo... um nada de carne e osso sobrevivendo ao tempo que me devora aos poucos.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

NULIDADE

Gosto dos ermos e das distâncias,
De estar sozinho imaginando
Meu próprio cadáver,
Sabendo a vida como um instante
Que celebra o inútil e o acaso.
Gosto de estar comigo
E não saber onde estou.
Gosto de abraçar meus medos,
Meus limites e ficar triste
Até não saber  se quer
Quem eu sou.


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

FATALISMO

Sei que estou condenado a esperar a minha vida inteira por algum bom acontecimento que me roube deste tédio de viver. Mas nada vai acontecer. Nada nunca acontece. Pois não há nada de especial em  existir. Apenas este cotidiano tédio e depois a morte. Tudo é uma questão de morrer. O que você faz no intervalo entre o seu nascimento e a sua morte, no final das contas, não faz a mínima diferença. Por que , afinal, deveria ser diferente?!


terça-feira, 8 de setembro de 2015

QUALQUER HORA DESTAS VOCÊ IRÁ MORRER

Você pode acreditar no que bem entender e levar sua vida do modo que julgar mais conveniente. Mas a grande verdade é que, a cada segundo, você morre um pouco e qualquer hora dessas tudo vai acabar para você. Não há como fugir disso. A vida acaba e não há outra vida para se viver, nem eternidade garantida depois que seu corpo apodrece. A gente morre e morrer muda tudo. Carregue a fantasia que quiser sobre o significado abstrato e duvidoso da sua existência. Não faz diferença.

domingo, 6 de setembro de 2015

ESCOLHAS SOLITÁRIAS


Prefiro viver da morte,
Do ceticismo das coisas
E dos meus silêncios filosóficos.

Prefiro a solidão perdida no abismo,
Aquela nostalgia de tédio de eternidade
Contra a agonia instantânea de uma vida inteira.

Não me façam perguntas,
Não esperem questões.
Nada mais tenho a oferecer ao seu dia.

Apenas vá embora.
Vão todos embora
Enquanto ainda não é tarde
Dentro de mim.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

VIVER E MORRER

Tudo que sei é que a vida acontece
neste mero instante
que me escapa selvagem
em todas as direções do pensamento.

o amanhã acordará tarde
no cemitério dos jardins.
sou eu agora e sempre
contra as contradições do encontro
entre a vida e a morte.