sábado, 10 de outubro de 2015

CONDIÇÃO HUMANA E FINITUDE

O desmedido de nossa fragilidade humana é uma constatação que decora o envelhecimento. É preciso perder pessoas, seu próprio mundo e sentir-se inteiramente um corpo cheio de limites e dores para entender o quanto a vida é uma aventura ingrata e a existência imperfeita e errática.

Não cultivo ilusões sobre o futuro. Ele não passa de uma abstrata representação do devir e do desabrigo ao qual estamos condenados. Apenas a morte define o futuro. Logo, ele me inquieta mais do que entusiasma. O futuro não é um caminho, é um abismo onde aprendemos a queda.


O fim esclarece a vida através da qual sujamos o existir da espécie.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O VAZIO DOS MEUS EUS

Todo o meu passado se resume a algumas poucas lembranças,
a associações vagas de situações e coisas
que me permitem ter apenas
uma rasa noção de mim mesmo.
Tento seguir meus próprios rastros,
chegar a alguma conclusão sobre o vivido.
Mas há um de mim para cada circunstância.
Sou a sobra de muitos eus,

o resto de algumas infâncias.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

VAMOS TODOS MORRER UM DIA....

Estamos todos em busca de uma coisa tosca que não existe. Dão o nome de futuro. Mas o único futuro é a morte. Estou de saco cheio das pessoas que vivem para o absurdo de suas vidas como se ela fizesse sentido, como se fosse importante. Isso torna muita gente insuportável. A maioria das pessoas vivem  como quem não morrem. Que vidinha estúpida elas realizam.
Que gente tosca sustenta o mundo e a realidade?

Da minha parte, apenas respiro enquanto me é possível.

OS MORTOS QUE MORAM EM MIM

Aquela pessoa ali fora
Lembrou algum dos meus mortos.
Não me perguntem porque
Ou como.
Apenas achei familiar o seu rosto,
Seu jeito de olhar.
Algum eco de passado
Gritou ali
Rasgando uma saudade dentro de mim.
Sei que é tolice.
Isso passa.
Mas lembro sempre dos mortos
Que vivem dentro de mim.


terça-feira, 6 de outubro de 2015

O TRÁGICO DESTINO DE UMA FLOR

Um dia serei como uma flor que caiu do galho
Indiferente ao jardim.
Mas  ainda haverão plantas e flores.
Ninguém sentirá falta de mim.
Não faz diferença
Se o outono é a morte da primavera.
O que importa é que sempre teremos primaveras.
Além disso, uma flor
É igual a todas as flores.

É muito triste ser uma flor.

domingo, 4 de outubro de 2015

TUDO ESTÁ SEMPRE DESAPARECENDO

Em termos temporais a mudança significa pura e simplesmente que algo que existia já não existe mais.  E tal transição da realidade ao virtual definido pela memória de algo que já não existe é a mais angustiante percepção que temos da realidade.
Estamos acumulando ruínas enquanto sofremos a existência e a finitude como  fundamento elementar de nossa própria condição humana.

Tudo está desaparecendo o tempo todo. Exatamente enquanto escrevo estas palavras agora um pouco de mim se esvai.


O fato de tudo isso ser algo obvio, não nos impede de viver nossas vidas como se fossemos eternos, como se nossos atos se perpetuassem e , de algum modo, todos os nossos eitos possuíssem pungente realidade. Mas isso não é verdade.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

INTIMA DESCONTRUÇÃO

As certezas vão diminuindo com o avançar da idade e vou me afastando das minhas convicções mais íntimas. Sinto que as rotinas vão se tornando transparentes e irreais,  que pouco importo a realidade, que o dia seguinte não faz diferença.

Não me levem a sério, não me considerem. Sou apenas mais uma vida que passa. Não tenho nada a acrescentar a esta vertiginosa confusão humana que nos define.

Apenas sigo adiante carente de mim mesmo...