terça-feira, 12 de janeiro de 2016

SAUDOSISMO E LUTO

Vivo para lembrar meus passados,
para viver do que se foi,
daquilo que um dia
me fez intensamente vivo
entre os outros.
Sou apenas o resto
de algumas felicidades perdidas

neste atual vazio de pessoas e coisas.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

INCIDENTE VITAL

O prosaico incidente
da minha própria vida
carece de definições.
É acontecimento solto
no tempo e no espaço,
momento pomposo
de um grito
contra o nada,

de um vazio existencial.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

DESISTIR DA VIDA

As incertezas vindouras,
as perdas e o peso da idade
não me assustam tanto.
O que temo é me perder das coisas,
afundar em minha própria existência,
até desistir da vida.
Eis o mais triste

de todos os destinos humanos. 

domingo, 3 de janeiro de 2016

MORRENDO AOS POUCOS

Havia desistido  de ser coerente.
Não era do tipo consequente,
Mas tinha mais juízo do que a maioria.
De um modo geral as pessoas pensam
Que são o centro do mundo,
Que suas opiniões importam
E fazem todo o tipo de discurso vazio
Para preencher sua nulidade.
Eu não precisava disso.
Tinha uma morte no bolso
Para todas as ocasiões da vida.
Estava sempre morrendo um pouco.

Respirar é isso.

sábado, 2 de janeiro de 2016

O CAMINHO

Ando cada vez mais vivo em meu passado,
Enfiado em tempos perdidos
Onde eu era mais intenso e promissor
Do que me considero hoje.
Com o passar dos anos
A gente vai perdendo a intensidade,
A capacidade de viver
Como se o mundo fosse uma estrada aberta.
Vamos nos fechando em um caminho
Que a cada passo se estreita.
Mas isso não faz diferença.
Pois ele não precisa nos conduzir
A lugar algum.
Todo o futuro, afinal,
Fez residência  em algum passado.

Já não há para onde ir.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

MATURIDADE

A grande maioria das pessoas não alcança a maturidade. A realidade é demais para elas. Preferem alimentar suas fantasias de domínio egocêntrico dos fatos e viver o fardo de suas ilusões de um mundo ordenado e inteligível de alguma maneira. 

A maturidade nos desperta o desencanto. Com ela aprendemos    a não esperar muito das coisas e modestamente acumular pequenos prazeres sem finalidades profundas. O corpo e o pensamento tornam-se uma coisa só. Ficamos mais preguiçosos, menos vaidosos.

A maturidade é um apaziguamento da vontade pela consciência de nossa finitude. 
A maturidade é um aprendizado da morte. 


OS LIMITES DA VIDA


Limitado
Por tudo aquilo que me tornei,
sei que a vida jamais será
nada daquilo que esperei.
 
Tudo há de seguir 
e se acabar na tediosa rotina
de alguns problemas sem solução.

Meu futuro afundou no impossível...