sábado, 9 de junho de 2018

A VIDA CONTRA A EXISTÊNCIA


Através da nudez dos atos e fatos, 
minha existência interroga a vida 
sobre o sentido de ser.
Não há resposta.
Apenas o tempo passando
Enquanto o existir se estreita.
Para a existência nunca há esperança.
A vida segue e se alimenta dela
inventando uma falsa eternidade.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

DESPEDIDA


Pode ser que hoje seja novamente tarde demais
Ou apenas o fim de uma agonia.

Para onde eu poderia ainda ir?
Para onde sempre estou indo?

Ao nada me leva o movimento,
Este acontecer por onde escorre o tempo.

Diga adeus pela ultima vez.
Nunca mais nos veremos de novo.



ASILO



O tempo passou e os lugares nos quais cresci desapareceram.
Ou, simplesmente, adentraram outra época,
E já não são os mesmos que tão bem me abrigavam.

Posso mesmo dizer que não pertenço agora
A qualquer parte do mundo.
Meu rosto é aquele que decora
Fotografias antigas.

Tudo que sou,
Se reinventou como silêncio e passado.
Sou apenas a sombra de antigas memórias.



A MORTE SEM METÁFORAS



A morte é uma data.
Mas não é um acontecimento.
Morrer não é um conceito.
Morrer é a desconstrução da verdade,
De todos os signos e significados.
É silêncio.
A morte é  o limite da insanidade de existir.
Ela é a mais autêntica conseq
uência de uma vida.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

O VAZIO DO TEMPO QUE PASSA

A verdade é que os anos passam rápido demais e na maior parte do tempo não realizamos nada de importante. Apenas seguimos vazios divididos entre a incerteza do passado e o silencioso do futuro, pois nada nos define ou justifica entre  o que já foi e o que nunca será. Tudo o que nos acontece parece vazio de realidade.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

A ANGUSTIA DE EXISTIR



Posso tocar aquela angústia sem objeto que me define. Aquele querer que não é desejo, mas movimento da própria vida na impessoalidade da condição humana desantropologisada.

Qualquer coisa crua e antiga se debate dentro de mim como uma quase memória. Sou neste algo selvagem e sem nome que me nega, que fiz a morte através da existência.

Afinal, o que é a vida além de um grito que se faz nos atos como eco da agonia de um não ser temporariamente eclipsado?

domingo, 3 de junho de 2018

ANTI ONTOLOGIA

Memórias e identidades não nos definem. Apenas nos situam no tempo através de um instantante que é sempre outro.

Mas o momento nos ultrapassa. Quase não existimos nele. Há sempre um movimento em direção ao além do aqui e agora, ao aquém de nós mesmos.

A vida não se conforma a quem somos ou ao que vivemos. Nem mesmo diz respeito a peculiaridade de nossa existência.

A vida é virtual e aleatória presença das coisas em tempo e espaço.