domingo, 11 de novembro de 2018

A CONSCIÊNCIA DA VIDA E DA MORTE

A consciência de mim mesmo é tão somente consciência de um mundo que me consome.

É o mundo que existe e me contém como um efeito menor de seu acontecimento. Sou perecível é acidental, mas carrego em minha singularidade todas as possibilidades desta realidade que me transcende e esclarece. Sou tudo e nada ao mesmo tempo.
 
A consciência de mim mesmo é o saber paradoxal da morte como essência deste nada que é  a vida. O inorgânico é o fundamento do orgânico nos abismos da biologia.

sábado, 10 de novembro de 2018

ESTAR VIVO

Estou vivo e isso não significa nada. Amanhã será outro dia e eu talvez não mais exista. E tudo continuará sendo como é onde agora minha existência acrescenta.

Estar vivo? Ninguém existirá no meu lugar. Mas a morte ensina que não há lugar que nos defina.
Estamos vivos...que bela porcaria!

terça-feira, 6 de novembro de 2018

NIILISMO É EXISTÊNCIA

Vivemos apenas para desaparecer. Viver não passa de um fracasso ontológico. Mas é isso que torna a existência interessante. Ela não possui um propósito individual. É um acidente coletivo do qual somos todos impotentes vítimas. 

Nos inventamos como singularidades na exata medida em que recusamos as inércia de nossa condição social e o vazio das convenções gregarias.

Inventar uma biografia depende de nossa capacidade para fugir ao ego como matriz social. Indiferença e desinteresse norteiam uma vida autêntica e sem propósitos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

O ENIGMA DO TEMPO



O tempo é múltiplo mais do que relativo. Passa de forma diferente para cada um de nós como não é o mesmo para as coisas inanimadas. Podemos mesmo supor que ele não existe em suas diferentes intensidades e efeitos como uma entidade coesa, como um dado homogêneo de nossa percepção ou como um dado supostamente objetivo, tal como nos sugerem os sentidos. O tempo é composto e só se torna plenamente ele mesmo quando finda, quando se faz em um só momento passado e futuro através do presente como uma ausência (potência) que não se confunde como um momento do que já foi e do que será.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

LEMBRANÇA DE ALGUEM QUE SE PERDEU DA VIDA

Minha perplexidade diante do fato de sua inexistência após anos de intenso convívio não conhece limites. Como é possível que sua realidade tenha se desfeito? Não posso aceitar sua ausência. Minha memória depõe contra o seu silêncio. Maldito seja o tempo que nos arrancou um do outro. Sua morte será sempre para mim a constatação dolorosa de algo inaceitável.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

VESTÍGIOS


Deixo nas coisas o sinal da minha ausência
Pois vivo para inventar vestígios vagos de mim mesmo
Como se minha existência fizesse sentido.
 Sou a singularidade improvável de um corpo que existe como pensamento.

Há nisso algo de irrepresentável,
Existe em tudo uma indeterminação que escapa,
Fazendo o mundo um acontecimento meu
Quando para o mundo não passo de virtual exemplo de humanidade.

Mas deixo nas coisas vestígios...
Futuramente eles dirão meu silêncio.

DIA DOS MORTOS


Nossos mortos estão sempre presentes na indiferença do silêncio que em  tudo penetra clandestino. 

Eles antecipam nosso morrer como onipresente definhar que nos ensina o tempo. 

Todas as urgências são ilusórias onde a consciência aprende o morrer.

Há muita filosofia transbordando no dia de finados.