domingo, 12 de janeiro de 2020

SOBRE A ILUSÃO DAS CONVICÇÕES

A paixão converte uma ilusão  em convicção.  A própria noção  de verdade é  uma prisão.  Mas poucos se arriscam a se conformar ao caos, ao nada, e a intuição animal para orientar sua própria sobrevivência.

Somos seduzidos pelas certezas, pela intuição  do absoluto e pelas orientações teleológicas que nunca respondem satisfatoriamente a nossa fome de sentido.

UM DIA DEPOIS DO FUTURO

Antes de morrer,
Espero conseguir viver,
Um dia depois do futuro,
Saber a existência do mundo
Sem  filtro  biográfico,
Acontecer como um nada
Dentro de tudo 
Na indeterminação essencial das coisas
na equivalência universal do nada.

sábado, 11 de janeiro de 2020

VIVER É MORRER

Nascer, crescer,
Criar e morrer.

Esquecer e ser esquecido,
Desaparecer...

Viver é  morte constante,
Existir é  quase não  ser.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

SOBRE EUTANÁSIA


Diante de uma doença terminal, os esforços para artificialmente prorrogar a existência, é um desrespeito naturalmente cometido ou incentivado justamente por aqueles que amamos. Nossa cultura afirma ou mitifica a vida como obrigação moral e rechaça opções como eutanásia nos  casos em que a própria vida vive. Para tanto ignora a vontade ou opinião do próprio enfermo e a mais intimidade do seu sofrimento.

É urgente uma educação para morte e o morrer que nos livre da miopia moral dos defensores incondicionais da vida.


MORTE E UNIVERSO




O universo nada sabe do homem.
Não percebe sua apagada existência
em um pequeno planeta em orbita de estrela
Entre estrelas.

O universo nem mesmo é o universo.
Ele é o todo fora do tudo
no micro, no macro, e no indeterminado.

Para ele a morte não existe,
pois desde sempre nada é
no raso, concreto e abstrato.

VIDA E REBELDIA

Sou indiferente a morte de quem não  viveu,
Não  lamento o desaparecimento dos conformados.
A vida é  coisa para rebeldes e desviantes,
Ela é  uma insurreição  constante
Contra o simples fato de existir.

domingo, 5 de janeiro de 2020

O INSTANTE E A MORTE

O instante é movente ,
Deslocamento e não ser.
Ele quase existe em seu movimento, 
Em  seu intenso desacontecimento.

O instante é desaparecimento,
Quase morte.