terça-feira, 18 de agosto de 2020

A ESPERA DA MORTE

Cansado do mundo,
Sigo abandonado dentro dos dias 
Pesado de tanto passado,
E pleno em melancolias.

Espero apenas o momento último
De mina sina
Na natureza que me finda o corpo.

O FIM SERÁ UM DIA QUALQUER

Na falta de sentido da vida e do mundo, estou pronto para morrer amanhã,  me tornar o lançamento de existir. 
Amanhã é  qualquer dia,
Sem adeus,  sem ponto final....

LUTO E AUSÊNCIA

Tudo aquilo que importa
De repente deixou de ser
Na interdição  de um adeus,
No silêncio do sempre,
Na abolição  da presença.

A morte é  um silencio estranho, 
Um outro que nos devora
No caos que habita
O abismo de ser.

A morte é a essência da vida,
Do ato e do amor,
Que revela o não  sentido das coisas,
Nivelado o tudo ao nada.

domingo, 16 de agosto de 2020

A VIDA QUE SEGUE

Lá fora o mundo segue,
Enquanto aqui dentro
Tudo se perde.
O tempo muda tudo,
A vida prossegue,
Sempre outra,
Eternamente breve.

SOBRE A CONVENIENCIA DA FINITUDE

Não  viverei para sempre.
Eis o maior consolo
De sofrer uma vida inteira.
O fim é  meu destino,
Minha certeza e meu caminho.
Não tenho motivo que jutisfique
Ser para sempre
No pesadelo de qualquer eternidade.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

CAOS E VIDA

Chega sempre o dia
No qual qualquer silêncio, 
Qualquer tristeza,
Nos desperta para o não sentido da vida,
Para o caos  que corre dentro de tudo
Contra nossas certezas cotidianas.
Viver é  um absurdo que não  nos esclarece.

A CASA TRISTE

A casa já não é  a mesma.
Pesa nas paredes o silêncio dos mortos,
A memória de tempos idos
É rotinas perdidas.
A casa agora é  triste,
Quase inabitável, 
Na solidão  dos que ficaram
Habitando ausências e vazios.