terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

APRENDER A MORRER

Aos poucos,
aprendi a morrer
com a morte dos outros
sobrevivendo a mim mesmo.

Desisti de ter esperanças,
colecionei silêncios,
até alcançar o consolo
de uma indiferença radical.

DA PALAVRA AO SILÊNCIO

Cada palavra é um passo para o silêncio,
a promessa, sempre adiada,
de um ponto final,
do inevitável triunfo do fundo branco da folha
sobre a ferida da minha escrita,
sobre minha busca infinita  pelo sentido último das coisas,
pelo significado impossível e definitivo da vida.

Cada palavra é sopro,
alma desfeita,
de uma verdade quebrada
pela rigidez da combinação de letras abstratas e apavoradas
esoalhadas pelo corpo da folha.





sábado, 19 de fevereiro de 2022

AFORISMA NATURAL



A morte é a mais radical expressão de natureza contra nossa ilusão de humanidade.
tudo que é vivo e  humano me é estranho e provisório na ilusão do tempo e do espaço.


sábado, 12 de fevereiro de 2022

OS DESAFIOS DO ENVELHECIMENTO

A percepção do evelhecimento, das mudanças que o tempo impõe a experiência de nosso próprio corpo, despertam  um misto de perplexidade e resignação. Não é somente nosso status social que muda com a velhice. Muda também nossa senaibilidade, nosso modo de envolvimento com a vida. Envelhecer nos faz naturalmente niilistas, um pouco a parte do mundo, e mais voltados para nossa finitude. Afinal, o declínio de nossas faculdades e percepção, nos leva cada vez mais a condição de um ponto cego na paisagem humana. Tal processo de despersonalização nos aproxima dos instintos primordias, de um modo de vida mais natural e despido dos rigores da civilização.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

O DESAPARECIMENTO DE SI

Desaparecer de si,
apagar-se em seus
próprios vestigios,
calar-se de mundo,
transpor o limite do fim.
Eis o único acontecimento íntimo
de qualquer biografia que sucumbe ao próprio esquecimento.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

CORPO & PEDRA

Qualquer momento
abriga o silêncio,
a  ausência de mundo,
palavra, e argumento.

Qualquer momento vazio,
onde expectativas,
necessidades, e vontades,
desaparecem na paisagem,
e o corpo se deixa inerte,
entre o sonho e a vigilia,
desfeito em outra realidade.

A paz é possivel
em algum estado intermediario
entre o corpo e a pedra.





quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

MORTOS VIVOS

Quem vive para sobreviver não passa de um morto vivo,
de um corpo perdido no mundo,
doente de natureza,
vazio de si mesmo.
Somos uma sociedade
de mortos vivos.