sexta-feira, 5 de abril de 2024

MORRER...

Talvez eu morra
ainda hoje 
afogado em tédio,
angústia e impotência,
a espera de algum fim do mundo.

Talvez, depois de um intenso 
 e quase eterno segundo,
de confusão e agonia,
eu caia de vez no fundo 
do meu vazio mais que profundo.

Morrer é se livrar de tudo.
Até de si mesmo.
É radicalmente desimportar-se.
É um desacontecinento,
um inacabamento,
ou um adiamento definitivo
de quem fomos.




quinta-feira, 4 de abril de 2024

FAMÍLIA MORTA


Hoje a família está morta,
a casa em ruínas
e a vida não é mais a mesma.

Tudo que foi pedra
virou pó e memória,
acabou em silêncio.

Ninguém se lembra
ou conhece
nossa pequena história.
Ninguém se importa.

O mundo segue em movimento.
Tudo gira na grande roda.
Tudo morre.
A família está morta.