quinta-feira, 25 de julho de 2024

NA CONTRAMÃO DA EXISTÊNCIA


 Não sou este rosto,
 este corpo,
 esta casa, 
este emprego e, muito menos, 
as identidades e memórias 
nas quais me reconheço.
Não sou uma biografia
que o tempo devora
e o mundo ignora.

 Talvez eu seja,
  na contramão da existência,
 minha própria ausência.
Pois, minha presença,
definitivamente ,
não me representa
nem me sustenta
diante do absurdo,
do inverossímil,
de toda realidade possível.






FATALISMO

Tenho esperado o inevitável,
 nosso destino,
 a grande fatalidade. 

Tenho aguardado o desastre 
ao qual, desde sempre, 
estamos todos predestinados.

Tenho esperado a última hora do relógio.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

TUDO É NADA

Cada momento é nada. 
Não importa a importância por nós atribuída ao acontecimento 
que ele abriga. 

 Tudo morre, 
Tudo passa,
 acaba em esquecimento. 

 O futuro é nada. 
 Mas atenha-se a irrelevância d
estas palavras.

segunda-feira, 22 de julho de 2024

O TEMPO E A VIDA

A rotina e o cotidiano são a negação da vida. A vida é o que está sempre ausente, é o que nos mata e o que nos falta contra o tempo que nos come a fome.

Não quero ser ninguém ou saber alguém. Quero investigar o paradoxo dos não nascidos e me render a indiferença dos esquecidos...

A vida, definitivamente, é algo entre nós ausente. Sabemos apenas o tempo que a nega.
Mas como poderíamos fugir ao tempo, visto que somos efêmeros?

Apenas os deuses são eternos, e eles não existem.
.

SOBRE A FALÁCIA DA ETERNIDADE

Sou alguém que persiste
contra a própria morte 
e resiste a própria sorte.

Sou o nada que me define o corpo,
a matéria e a vida,
contra toda ilusão de eternidade
que me embriaga o pensamento.

quarta-feira, 17 de julho de 2024

O TEMPO, A VIDA E A MORTE

Lá fora
todos estão presos ao dinheiro e ao trabalho.
O tempo é ditado por relógios e calendários
enquanto a vida passa.

Aqui dentro há apenas 
dias, noites & preguiça.
Ninguém sabe nada
sobre obrigações e horários.
O tempo é expressão de liberdade
enquanto a vida passa.

Mas, seja aqui dentro,
seja lá fora,
tudo muda
e  o tempo mata
sem a menor  piedade
enquanto a vida passa.




segunda-feira, 15 de julho de 2024

O NONSENSE COMO UTOPIA


Quem conhece o limite e o extremo
que transgride a realidade?
Quem sabe onde não existe mais tempo,
Onde reina o impossível contra toda a lógica e  bom senso?

Quem sabe onde nada pode ser dito,
onde não há sujeito, objeto
infinito ou ciência?
Quem sabe o impossível que ultrapassa o pensamento, a vida e a morte?

Não importa a resposta. 
O nonsense é sempre aqui e agora.