quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

AUSÊNCIA

Tudo que nos define é  a presença arrebatadora de uma abstrata ausência. Trata-se de algo indeterminado, além de qualquer palavra ou conceito. Algo que nos consome e se consuma na morte.

Somos em tudo o devir desta ausência

A REALIDADE

A realidade escapa através do dizer,
Do pensar e do ser.
Ela não  tem substância,
É uma ausência 
Que preenchemos com o ato de viver
E nos  consome no fato de morrer.

domingo, 22 de dezembro de 2019

O ETERNO RETORNO DO ANO NOVO

O tempo cíclico dos anos nos confronta com a dança  das gerações.  Carrego em mim a memoria dos mortos que não contam mais os anos e já  se perderam nos abismos do futuro. Mas é  sempre novamente ano novo. Sempre com outros rostos e situações. 

A roda do tempo gira implacável, fazendo o mesmo percurso, mas nunca é  a mesma ao final de cada volta. 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

MORTE E MATURIDADE




Perder-se da  infância
é como ficar sem alma.
Pois infância é ser mundo,
fantasiar-se de fantástico,
saber o sumo da realidade
em seu avesso encantado.

Por isso,
Tornar-se adulto,
Alcançar a maturidade
De nossa condição humana,
Significa, ao contrário, 
Começar a morrer.

Apenas as crianças  verdadeiramente vivem ... 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

INSTINTO DE VIDA

O mais genuíno instinto de vida é  aquele que se volta para o futuro, que desafia toda contingência. Mesmo que em nome de uma plenitude impossível,  de um porvir que nunca é  o mesmo, de uma vida que nos ultrapassa e acorda vertigens.  

Somente uma vida suja de morte pode reivindicar sua própria radicalidade.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

MINHA VAGA EXISTÊNCIA

Não  sou parte do passado ou do futuro da humanidade.  Sou apenas um fragmento deste descartável presente, um insignificante detalhe na paisagem do agora. Mas dentro de mim existe um universo, algo que não  cabe no rosto ou na voz que me define entre os outros. Algo que de tão intenso desaparece,  quase não  existe, mas me ultrapassa na indeterminação  do mundo, na impertinência de uma existência que não  dura por nem  um segundo de eternidade.

sábado, 14 de dezembro de 2019

MORTE E CONSERVADORISMO

A morte se confunde com a impossibilidade de novidade. É  quando nada mais pode ser mudado, quando tudo está dado.
A morte é estática , imóvel.  Enquanto a vida é  movimento e transformação constante.

O status social dos mortos é  o silêncio, a impossibilidade de transformar e ser transformado. 

Muitas pessoas existem em estado de morte. Chamam isso de "conservadorismo" politico, mas trata-se de uma disposição que transcende o campo politico e apresenta desdobramentos existenciais profundos.