A MORTE É UM DOS GRANDES TABUS DO IMAGINÁRIO OCIDENTAL.FATO QUE POR SI SÓ JUSTIFICA O ESFORÇO DESTE BLOG DE EXPLORAR SUAS REPRESENTAÇÕES COLETIVAS ECODIFICAÇÕES PESSOAIS...
Tudo que nos define é a presença arrebatadora de uma abstrata ausência. Trata-se de algo indeterminado, além de qualquer palavra ou conceito. Algo que nos consome e se consuma na morte.
O tempo cíclico dos anos nos confronta com a dança das gerações. Carrego em mim a memoria dos mortos que não contam mais os anos e já se perderam nos abismos do futuro. Mas é sempre novamente ano novo. Sempre com outros rostos e situações.
A roda do tempo gira implacável, fazendo o mesmo percurso, mas nunca é a mesma ao final de cada volta.
O mais genuíno instinto de vida é aquele que se volta para o futuro, que desafia toda contingência. Mesmo que em nome de uma plenitude impossível, de um porvir que nunca é o mesmo, de uma vida que nos ultrapassa e acorda vertigens.
Somente uma vida suja de morte pode reivindicar sua própria radicalidade.
Não sou parte do passado ou do futuro da humanidade. Sou apenas um fragmento deste descartável presente, um insignificante detalhe na paisagem do agora. Mas dentro de mim existe um universo, algo que não cabe no rosto ou na voz que me define entre os outros. Algo que de tão intenso desaparece, quase não existe, mas me ultrapassa na indeterminação do mundo, na impertinência de uma existência que não dura por nem um segundo de eternidade.
A morte se confunde com a impossibilidade de novidade. É quando nada mais pode ser mudado, quando tudo está dado.
A morte é estática , imóvel. Enquanto a vida é movimento e transformação constante.
O status social dos mortos é o silêncio, a impossibilidade de transformar e ser transformado.
Muitas pessoas existem em estado de morte. Chamam isso de "conservadorismo" politico, mas trata-se de uma disposição que transcende o campo politico e apresenta desdobramentos existenciais profundos.