quinta-feira, 22 de agosto de 2024

EUTANÁSIA

Não morrerei
de morte morrida,
nem de morte matada.

Morrerei de 
de tédio e por renuncia,
fugindo a condição de moribundo,
através da morte voluntária.

No final,
quando nada restar ao corpo,
serei eu a dizer
os limites do meu tempo
e a impossibilidade da minha própria existência.

Viver não é para sempre.
É frágil,  breve e fatal.

Mas morrer, as vezes,
se faz urgente.
Uma decisão banal .




sábado, 17 de agosto de 2024

APESAR DE TUDO

E, apesar de tudo,
a gente ainda
segue em frente
enquanto o passado cresce
contra a nós.

Apesar de tudo,
a gente sobrevive
na contramão das coisas,
em um mundo que é contra nós.

Apesar de tudo seguimos vivos,
perplexos e desesperançados,
na contramão de todos os futuros possíveis.



quarta-feira, 14 de agosto de 2024

CONSELHO DE AMIGO

Devirta-se meu amigo.
Pois ser feliz é impossível
e a vida tem a velocidade
de uma bala.

Devirta-se porque tudo passa,
tudo acaba, 
sem a gente ter tempo
pra lamentar. 
Nada é sagrado ou eterno.
Tudo é incessante movimento.

VIVA DIONÍSIO!

Nada ultrapassa 
na condição humana
o aqui, o agora
e o nunca mais.
O resto é mentira
que a gente aprende
na igreja ou na escola.

Existimos, imprecisos,
na liberdade do corpo
que se faz potência 
entre o devir e a imanência.

A vida é aqui, agora
e nunca mais.
Viva Dionísio!!


quarta-feira, 31 de julho de 2024

TODO MUNDO MORRE

Um dia morreremos todos.
Não importa se por doença,
guerra, acidente,
 fome, descrença,
tristeza, amor, ódio 
 ou esperança.

Morrer é natural ao corpo
e somos apenas corpo.

Tudo termina um dia 
sem ponto final
no absoluto silêncio do nada.

Morrer é, antes de tudo, necessário.
Não importam nossos delírios de eternidade.

TODO DIA

Todo dia um passado se perde
em esquecimento 
e um possível futuro
morre em meus atos
na variação de um segundo.

Todo dia a mesma coisa
enquanto tudo acaba
sempre de novo
fazendo de mim 
sempre um outro.

Todo dia até que a vida
desapareça na noite.





SOBRE O TEMPO QUE PASSA

Não importa quantos anos,
outonos ou dias,
 ainda me restam de vida. 

O tempo sempre falta a existência,
 pois é incessante mudança,
 incerteza inebriante,
que nos sufoca e afoga 
em urgências.


Tudo passa,
Tudo é nada
no tempo que nos embriaga e ultrapassa
entre o  devir e esquecimento.