quarta-feira, 22 de abril de 2015

SORRIA: VOCÊ ESTÁ VIVO!

Apenas um dia a mais no calendário. Isso era tudo que tinha a dizer sobre a vida.
Existir  não passa de estar dentro do tempo  sofrendo o  passar das coisas,
Acumulando perdas e passados que em algum belo dia irão nos soterrar.
Nenhuma filosofia ou religião pode mudar isso.
Ao nascer fomos condenados a morrer,
 A perder.
Devemos, entretanto, continuar por ai sem pensar nisso.
Apenas sorria por ainda estar vivo...


segunda-feira, 20 de abril de 2015

VIVER É MORRER

Tenho plena consciência do quanto viver não passa de um ato de morte.

Por isso  pouco me importo com os revezes da vida.

A conclusão de tudo é  morrer e não faz muita diferença as alegrias ou tristezas que me visitam ao longo do caminho. O destino será inevitavelmente o silêncio. E o vazio.

Então por que me importar com os dilemas do dia a dia?
Que diferença faz os desatinos do mundo e os abismos  da minha vontade ferida?

A importância das coisas é uma falácia metafísica.


quinta-feira, 9 de abril de 2015

QUASE MORTO

Ainda vivo das urgências da vida antiga
Em que eu respirava determinações
E me lambuzava de esperanças.
Sofro saudades dos meus passados
Como quem existe as portas da morte,
Como alguém que caiu de algum álbum de retratos.
Quase não existo.
Lamento tudo aquilo
Que agora me define.

Estou a espera da paz dos meus mortos.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

FIM

Eu era apenas um escombro de gente
Vagando indigente
Entre os restos de um mundo caduco.
Não era eu,
Não era qualquer coisa.
Apenas seguia
Sem direção e esperança
Rumo ao esquecimento
Que me aguardava em qualquer canto.


sexta-feira, 3 de abril de 2015

INTROSPECÇÃO E SOMBRA

Tenho apenas pela frente
O incerto do dia seguinte
E a vontade ferida de ir adiante.
Talvez o amanhã se desfaça
Em minhas exigências quebradas.
Talvez o céu chore por mim,
De repente,
Em uma grande chuva.
Mas nada vai mudar.
Vou continuar aqui,
Vazio e inerte,
Contemplando o agora,
Morrendo um pouco em todas as coisas.


MORTE E SOCIEDADE

Normalmente a morte de uma pessoa famosa torna-se um evento midiático, quase uma catarse coletiva, onde a perda de uma individualidade emblemática veste-se de tragédia socialmente compartilhada como um ritual macabro de sacrifício. Morrer deixa, assim, de ser um acontecimento íntimo e natural. Torna-se um evento onde o que se afirma é que a vida da sociedade continua apesar do morto e do silêncio que sua perda representa. No final das contas, o que sempre fica é a ideia de que somos todos dispensáveis. A vida sempre deve continuar.... 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

A ARTE DE MORRER

Pensar a morte é a grande questão da vida.

Pois vivemos apenas para morrer um dia

Enquanto nossa espécie prossegue incerta sua sina.

Morrer é a arte de lidar com a existência

Aprendendo o passar constante

De todas as coisas.

Logo, nada me prende,

Nada me importa.

Quero ser apenas

A poesia...