segunda-feira, 17 de agosto de 2015

SAUDADE

Acordei ouvindo o eco dos meus mortos.
acordei saudoso dos dias
em que eu despertava dentro de suas vidas.

Agora que todos se foram
fico aqui como um tolo
entregue a mim mesmo
no vazio de quase não ser
e passado é presente
contra o futuro





quinta-feira, 13 de agosto de 2015

MORTE E ESQUECIMENTO

As constantes visitas ao cemitério,
tornaram meu coração mais lúcido,
menos medroso e vaidoso
frente  a  constatação
de que desde o meu nascimento,
de muitas formas, eu já estava morto.
Que importa os dias,
do que vale os fatos ?
Sou apenas um ponto caído
no meio da linha reta do esquecimento,
um lugar esquecido no cemitério.



terça-feira, 11 de agosto de 2015

A MORTE COMO ELA É

A morte não é uma vivencia abstrata.
O morrer é concreto.
É o corpo que falha,
Que se cala.
É o pensar que acaba,
O sono...
A inconsciência
E o ponto final
Que quando acontece
não se percebe.
Morrer é simples.
É como esquecer

Do próprio nascimento.
O difícil é viver...

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

SOMOS TODOS NÃO NASCIDOS

Os suicidas são aqueles indivíduos  que, mais do que qualquer outro, sabe que a morte é uma necessidade, coisa inevitável. Que diferença faz os anos e décadas que temos pela frente para acumular atos e realizações fadadas ao certo esquecimento ou ao campo opaco das lembranças vazias que se perpetuarão naqueles com quem  convivemos e sobreviveram a nossa ruína?

Se a maioria segue diariamente pela vida receosa por seu destino, é porque sabe que existir se resume a um incerto movimento de inércia. Mas o mundo, na plenitude de seus significados mais profundos, se quer se deu conta  de que nascemos um dia.

A FRAGILIDADE DO TEMPO VIVIDO

O que há de mais insólito no passado são as lembranças. Quando lembramos é como se rememorássemos  alguma coisa que nunca aconteceu, mais foi apenas sonhada. Afinal, que distancia existe entre o nosso existir de vinte ou dez anos atrás! Lugares mudaram, pessoas morreram e eu mesmo já não sou o mesmo.

O tempo nos ensina a irrealidade dos momentos, sua fragilidade...

Por isso é que digo: quem me dera esquecer tão profundamente o vivido a ponto de me livrar desta triste ilusão que é o “Eu” que recorda.

Habitamos  o agora, mas onde começa o agora? Onde termina?
Tudo já acontece no passado e quase não existe.

sábado, 8 de agosto de 2015

DIA DOS PAIS

Faz poucos anos, o dia dos pais
Virou dia de finados.
A casa antiga já não é a mesma.
Ganhou mais uma ausência
Enquanto  ainda  frequento os dias
Sem saber até quando.


Meu pai está morto.
Não me venham com metafísicas soluções.
Não há outras vidas.
Apenas o vazio que fica,
A saudade e o espanto
De sofrer a morte dos outros.

Meu pai está morto
no dia dos pais.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

FUTURO MORTO

Tenho pouco a dizer.
Já não espero muita coisa
Além do café da manhã
E meus cacos de realidade
Para cotidianamente administrar.
A vida continua a cair no abismo
Do pior futuro possível
E, todos já sabem,
Que o mundo não tem mais jeito.
Então sangro silêncios,
Respiro limites

E vomito esperanças.