quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A MORTE COMO UM ACONTECER SOCIAL

Pertenço a um tempo determinado, a uma determinada época e lugar. Isso pode parecer muito óbvio e banal. Mas se tornou um peso quando a gente envelhece e se confronta  concretamente com a finitude. Envelhecer é como, aos poucos, deixar de ter um lugar nas rotinas do mundo. Morremos socialmente antes de morrer fisicamente. Por isso a idade avançada nos ensina a nostalgia da infância e do perdido vigor da existência. Mas, infelizmente, não existe nenhuma fonte da juventude que redima o corpo do  desgaste temporal. A nostalgia e o apego ao passado não passa de uma forma de evasão do tempo presente.


Depois de certa idade, tudo que podemos fazer é fugir de nos mesmos....  

sábado, 6 de fevereiro de 2016

MORTIFICADO DESERTO DE EXISTÊNCIA

Hoje acordei  inapto a existência.
Meu corpo e meus pensamentos
quase não cabem na vida
e me calo  em resistências 
contra este mundo insano
do qual participo.

Tenho na boca  um gosto de merda
e morte,
um amargor na língua
e na vontade.

Não me procurem agora,
não queiram hoje
saber de mim
em meus labirintos...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

MORTE E MELANCOLIA

Toda tristeza nos mata um pouco
e , muitas vezes, nos resta apenas 
contar com a sorte para não sucumbir de vez
diante da incomoda lucidez
dos que sabem o impossível do mundo,
ou o limite de todas as coisas,
na insignificância humana.
É preciso brincar de viver
enquanto a morte não nos elimina de uma vez
deste estranho delírio absurdo
que é a existência.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O FIM...

Precisava de mais tempo.
Mas tempo era tudo aquilo
que eu não teria.
Aos poucos se desenhava
o fim de todas as alternativas.
Nada mais havia a se fazer
ou para onde ir.
Resignadamente,

aguardava o fim...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

MEDO DA VIDA

A morte não era o problema.
Era a vida quem me dava arrepios.
O tempo me desafiava...
Existir era aceitar desafios.  
Mas o dia seguinte era sempre tarde demais.
Quando me dava conta, 
As soluções já tinham ido embora
Como um barco perdido em um rio.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

PARA UMA PEDAGOGIA DA ANGUSTIA

Não há angustia maior do que a de não poder fugir a mim mesmo. Pensar, sentir e viver outras coisas que me transcendam enquanto uma consciência perdida no mundo existindo entre abstratos cacos de realidade.


Gostaria de não ser eu por um dia e desvendar este estranho equivoco  que chamamos de temperamento e singularidade. Ainda temos muito o que aprender sobre individualidade, sobre a perenidade da existência. Necessitamos , ainda, de uma pedagogia da nadificação.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

MATURIDADE

Chega um tempo
em que tanto faz
viver ou morrer.
Sonhar, querer,
ser feliz ou não.
Aprendemos a aceitar
o impossível,
o limite do horizonte
e os hiatos da vontade.
Abrimos mão da mais simples
e elementar

fantasia de felicidade.