sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A MANHÃ DO NÃO FUTURO


Amanheci impactado pelo silêncio;
Inerte na nudez das coisas vazias,
Brincando com cotidianas incertezas.


Amanheci na fronteira entre o hoje e o nunca,
Adivinhando desertos de eternidades.

O futuro é agora o impossível
gritando no fundo de um horizonte perdido.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A INDIFERENÇA DA DOR

As dores do mundo são as dores da vida, ou as dores da vida são as dores do mundo?

Qual a fronteira entre o eu e as coisas, os outros e mim mesmo?
Tudo é devir e finitude que não se comunicam , nem se resolvem com fenomenologias.

As dores do mundo e as dores da vida  não cabem uma na outra. Nem mesmo me percebem como matéria passiva de seus caprichos .

Tudo que sei é que a morte me espera como solução de todas as dores que seguirão existindo. Não sou necessário ao próprio sofrimento que me define em carne e mundo.  

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

MORTE E INDIVIDUALIDADE: ONTEM E HOJE

Até o seculo XIX, a morte era o momento de  consagração social do individuo. Morrer era um evento coletivo dedicado a celebração da memoria, dos feitos e laços construídos ao longo de uma vida inteira. 

Durante o seculo XX, com a emergência de uma cultura hospitalar, a morte tornou-se um tabu, um motivo de vergonha. Morrer passou a ser considerado uma derrota. Já não há em nossos ritos fúnebres lugar para celebração da vida vivida.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

NOSTALGIA


Vou em busca do meu passado.
Quero de volta tudo aquilo
Que jaz arruinado,
Definitivamente esquecido e apodrecido.
Pois é neste passado que deixei minha identidade,
Minha realidade mais intensa.
Pertenço a estes dias perdidos.
Não sou feito de agoras.



A ESCRITA DO SILÊNCIO



O dia da minha morte
Escreve em mim um silêncio,
Uma necessidade de pensar,
De viver e criar
Contra a certeza do não ser.

A existência é tão pouco...
Tudo que posso fazer é escrever
Meu próprio silêncio.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

EXISTÊNCIA

A existência é permanência,
Acontecer da vontade
Contra os fatos.
É um infinito que nos consome.
Um saber da vida e da morte.




sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

ÚLTIMO DIA...

Acorda e viver mais um dia é uma daquelas tarefas inúteis das quais não podemos fugir. Mas um uma hora ela foge da gente e a gente nem se dá conta disso. Simplesmente porque já não fazemos mais parte do dia.

Isso pode parecer um fato corriqueiro e banal. Mas vivemos como se a eternidade fosse uma realidade. No fundo, não temos escolha. O futuro da humanidade depende da ignorância do obvio.