segunda-feira, 16 de julho de 2018

INSIGNIFCÂNCIA



“A certeza de sua insignificância me faz rir da sua ignorância”
Sófocles

Todos nós somos perecíveis. Podemos conviver com isso. O que realmente incomoda a nossa consciência pessoal é saber o quanto somos descartáveis e substituíveis.  É essa escandalosa insignificância que perturba. Não fazemos falta alguma no mundo. Um mundo que muito mau soube nossa existência. Por isso exigimos das religiões que nos forneçam o placebo da ilusão de vida eterna.

Não é fácil lidar com a insignificância. Como assim, a vida é apenas  um suspiro? Precisamos de qualquer coisa mais. Na pior das hipóteses, seja através de filhos, livros ou qualquer outro empreendimento, é preciso deixar uma marca no mundo. Mas a verdade é que nossas marcas são como pegadas na areia. Por mais obvio que seja, é preciso sempre lembrar: A existência persiste apenas em quem vive. E viver já não é grande coisa....



AS HORAS


quinta-feira, 12 de julho de 2018

CONTRA A ETERNIDADE

As coisas mais importantes nunca terminam. Ficam interrompidas para sempre.

Não se conformam a um ato final. Persistem contra o passar do tempo alimentando vazios. 

Elas sempre guardam um futuro impossível em sua luta contra a eternidade.

terça-feira, 10 de julho de 2018

POUCO POR NADA


Persigo a vida na sutileza do visível. Como algo imediatamente dado no incerto acontecer de mim mesmo através do superficial e do efêmero. Inútil buscar profundidades em algo tão banal, um significado mais profundo. Significações são cômodas invenções que não sobrevivem ao passar do tempo. Apenas inventam nomes e identidades onde existe apenas o tédio de ser e estar. Prefiro não ficar preso a identidades e certezas. Reconheço na morte o limite absoluto de todos os sentidos. Isso é tudo que me parece realmente possível em meio as vaidades  de nossa estranha  condição humana. Cultivo pouco por nada.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

FINADO




Uma lembrança...
Nada mais do que isso.
É o que resta de tudo aquilo que você foi um dia.
Todos os nossos assuntos ficaram inacabados.

Fora isso resta o impasse frente a fragilidade da própria condição humana,
Uma fragilidade que define todos nós.

Afinal, do que nos serve a vida?
Tudo passa... Ausências se inventam e tomam a existência.
Ao final restam apenas as ausências silenciadas,
O triunfo de um esquecimento absoluto.



terça-feira, 3 de julho de 2018

NIILISMO E SUBJETIVAÇÃO




Ainda que preventivamente, evito desde hoje todos os excessos de autoconfiança, otimismo vazio e aposta em um mundo ordenado, normatizado, onde eu possa perseguir qualquer forma de realização social e supostamente pessoal.

Evitarei esta tendência irrefletida de viver como se tudo fosse sólido e estável, a começar por esta estranha ilusão que é minha própria existência como um campo de ações e experiências singulares.

A partir de agora irei investir apenas nas superfícies de cada momento, na falência e mediocridade da consciência e do ego. Nada... inclusive a arte, é suficiente  para lidar , fazer frente,  a esta grandeza absurda e sem sentido que é as múltiplas presenças de processos e coisas que nos definem, até segunda ordem, aquilo que enunciamos como universo.  


segunda-feira, 2 de julho de 2018

INCONSTÂNCIA

E de repente  já faz muitos anos.
O tempo parece que alarga,
Ou a memória engana.
O fato é que tudo mudou.
O passado parece apenas um sonho,
Uma  realidade que nunca foi.
A vida inteira é feita deste engano
Segundo o qual as coisas existem,
Quando apenas se perdem de si
na medida em que se transformam.