quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

REDENÇÃO

 

Uma hora tudo que sou

será passado,

ponto morto no tempo,

Insignificância e esquecimento...

E a vida vai continuar sendo,

acontecendo como antes do meu nascimento.

Finalmente ficarei livre da consciência,

do ser e da sobrevivência.

Serei nada,

serei tudo.

Estará finalmente desfeito

o grande erro da minha existência.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

A MORTE COMO POTÊNCIA

A morte é um acontecimento absoluto.
que se faz contra o tempo e o espaço,
Contra toda memória e significado.
É o corpo livre do mundo se desfazendo na terra.

A morte é, simplesmente, a natureza  em potência cega.

sábado, 9 de janeiro de 2021

CORPO MORTO

O mundo segue
Enquanto um corpo apodrece.
A morte, indiferente a vida,
Da sempre o tom de toda existência.
Viver é mera miragem
na ilusão de cada existência.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

O SOBREVIVENTE II

Saudade é morrer aos poucos através da vivência da ausência dos outros. É perceber os limites da própria sobrevivência através da lembrança dos mortos na impossibilidade de calar a agonia de experiência do adeus.


A FALÁCIA DA ETERNIDADE

 

Como é falsa a ideia de eternidade!

Uma vida inteira cabe na brevidade de um único dia

do tempo dos vivos

quando se faz ausência,

quase esquecimento

no continuar banal da existência

Onde o tempo não tem substância.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

O LADO SOMBRIO DA MORTE...

 


Tudo possui um lado sombrio. O lado sombrio da morte é a vida. Uma vez vivos (seja lá o que isso realmente seja), padecemos no grande teatro da condição humana, ficamos a mercê de todas as mazelas da sobrevivência, de todas as necessidades e carências biológicas, individuais e coletivas, definhando no tempo, até o colapso do corpo como vitória definitiva da vida da espécie sobre à existência precária e medíocre de cada um de nós na demanda de nossa sobrevivência.

Nascer é estar condenado a vida e cada pensamento, emoção ou condição ´psicológica gerada por tal estado, no fundo, não tem a mínima importância diante da natureza ou do universo. Tudo que somos nós  é esquecido no ciclo quase infinito da espécie, que sempre segue na iminência de qualquer catástrofe, enquanto promove em sua generosa insanidade, a destruição da Terra.


domingo, 3 de janeiro de 2021

O SOBREVIVENTE

O tema do presente monólogo é a vida que já não é mais e contamina todo dizer possível do momento de agora como um pós existir. O eu que narra é a sobra de uma vida comum desfeita pela morte dos protagonistas. Ele é o sobrevivente entregue a sua pós vida antes que a morte consuma a história de sua existência. Mas ele já não existe. Vive para preservar a memória dos que se foram, dos tempos em que os outros estavam vivos. Pois a história da sua existência, não lhe pertence. Ele agora é o velho de sua própria infância. Em sua solidão na há futuros, não há crianças, para continuar a história de uma vida comum interrompida e cujos vestígios são cada vez mais ilegíveis.
O sobrevivente é aquele para o qual o mundo tornou-se indiferente sob o signo das ausências.
A casa vazia dos outros antecipa minha cova, minha impossibilidade de ser plenamente quem sou onde os outros  já não existem .