quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

ÚLTIMO SUSPIRO

Minha vida terminará ali,
onde acaba a imaginação
que inventou o garoto
que um dia eu fui.

Será bem ali
que darei meu último suspiro.
Bem alí, onde não existirá
por um instante
nem um antes, nem um depois.

Tudo será o impossível,
a escuridão, o frio e o silêncio
no sem tempo do eterno vazio.

Será para todos sempre,
simplesmente, tarde demais.

Minha vida terminará ali
na inconsciência do incompreensível,
na inconsistência da constituição do real,
desfazendo seu próprio  início.

Minha vida terminará aqui ...

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

PRAGMATISMO

É triste morrer
e estúpido continuar vivendo.
Mas a gente segue em frente
certos de que a vida não é para sempre.
Assim, acumulamos dias seguintes
sem a espectativa de um próximo dia,
cientes  do nada 
que nos leva
 ao vazio de  cada dia.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

INVISIBILIDADE E EXISTÊNCIA

Quando eu morrer,
sei que irão me esquecer,
assim como poucos sabem
ou se importam
com o fato
de eu ainda estar vivo.

Cada um é,
em alguma medida,
diante do outro,
um pouco invisível.

A existência é um acontecimento solitário
e um fato desimportante.
É coisa que quase ninguém sabe.

sábado, 10 de fevereiro de 2024

A VIDA PASSA

A vida passa
e a gente nem percebe
seguindo vivendo do pouco que sabe.

A vida não é isso,
não é aquilo.
Ela é bem diferente
do que a gente aprende.

A vida é tudo
que nos acontece.

Ela é dura,
difícil e breve.

A vida passa
e a gente nem percebe
quando a morte chega
e tudo se inquieta.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

NADA IMPORTA

Nada importa.
Ninguém importa.
O tempo passa
e espalha o nada
sobre todos nós.

O amanhã não importa.
Ninguém se importa.
Nada importa.
Estamos todos sós.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

NULIDADES ULURANTES

Cada um de nós
sonha em deixar no mundo
sua marca,
afirmar-se único,
entre os outros,
fugindo a tediosa banalidade
que define a existência.

Cada um de nós
quer ser importante,
diferente.
Ter uma alma,
uma essência.

Mas em que pese
o poder de ilusão de todas as crenças,
a fragilidade de nossas espectativas e experiências,
não passamos de nulidades ulurantes.

Nenhum de nós
é especial ou importante.


sábado, 3 de fevereiro de 2024

SOBRE MINHA MORTE

Mesmo que eu seja uma mera miragem no devir do animal humano sobre a Terra, minha morte será singular, mesmo que insignificante e banal, como qualquer outra.
Meu desaparecimento não será apenas esquecimento e ausência. Há de ser subtração, diminuição da potência do mundo. Qualquer espécie de ferida no cotidiano urbano, na comunhão  dos corpos em rotina. Mesmo que ninguém saiba ou se importe com o acontecimento do meu fim de vida, algo nunca mais será para sempre.
É sempre um mundo que desaparece com alguém que morre. A morte é sempre diferente.