terça-feira, 10 de setembro de 2024

INTROSPECÇÃO INSURGENTE

Não quero saber
como o mundo deveria ser.

Não me digam como viver
nem queiram me impor
a prisão de qualquer  verdade.

Advogo,contra todos,
sei a nulidade dos valores e princípios
que sustentam nossa vaidade.

Existo para morrer
mergulhado em vertigens
e explorando abismos.

O mundo não me importa.
Sou apenas mais um corpo
se desfazendo aos poucos
numa paisagem morta.
Persisto por meus desvios
indiferente a todos os caminhos.



domingo, 8 de setembro de 2024

A VIDA ALÉM DE NÓS

A vida precisa ser algo mais
do que nos foi ensinado na escola
e menos do que disseram na igreja.

A vida tem que ser natureza,
devir e incerta,
contra toda metafísica 
ou teoria materialista simplista.

A vida  esta além da verdade,
da mentira e da realidade.

A vida precisa ser vivida
como algo que nos descarta
e ultrapassa
como um transbordamento e desmedida de ser.


DESCONFIE...

Desconfie sempre
da vontade que nos move
pelos intinerarios de nossas rotinas
e dos discursos que sustentam
nossas intenções e afetos
mais urgentes.

Tendemos a decorar  com orgulho,
vaidade e arrogância, 
o vazio de nossa insignificância.


sexta-feira, 6 de setembro de 2024

O TEMPO DOS MORTOS

A vida acontece
no tempo dos mortos.
Tudo é, desde sempre,
passado, silêncio 
e impotência.

O futuro é uma pálida lembrança 
do que não será...

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

A VIDA NÃO IMPORTA

A vida importa tão pouco
e a morte é tão natural e banal
que  existir me espanta.

Sigo sem esperanças 
acumulando distâncias
e errâncias.

Não tenho limites,
mas não cultivo ânsias.

A vida não importa
e pouco de mim existe,
 neste inexato instante,
no qual contra o tempo insisto.



QUASE DEFINIÇÃO DE SELF

O mundo não cabe
na vida que a gente leva,
nas coisas que sentimos,
queremos,
ou no tanto que desistimos,
perdemos,
para atingir o vazio
do momento de agora.

A vida não cabe no mundo
que a gente sofre,
como a gente não cabe
na angústia que nos envolve
e devora.

Somos o perecível fruto
de tudo que morreu,
 ainda morre,
ou  ainda não nasceu.

Somos o que não cabe no mundo,
no eu e até mesmo em nós.


.

ANTI HUMANISMO


A vida não me desagrada tanto
quanto a  condição humana.

Meu  suplício 
é ser este animal
 desengonçado e ridículo,
perdido entre a natureza e a fantasia de ser.

Viver em rebanhos,
 imerso em linguagens e símbolos,
 me desconforta ao extremo.
Pois, tudo que é humano,
é maldito.

Minha vocação é ser natureza
além de toda razão e antropocentrismo.