Uma pedra decora a paisagem
indiferente ao passar do tempo,
como um objeto alheio a qualquer sujeito.
Seu existir é quase não ser.
Pois uma pedra não acontece,
não participa do momento.
Uma pedra é apenas uma pedra.
É pura e concreta indiferença.
sexta-feira, 28 de abril de 2017
VEJO PESSOAS MORTAS
Vejo pessoas mortas na televisão.
Elas falam e andam dentro dos filmes
com a mesma naturalidade
com que cantam, as vezes, no rádio.
Ouso mesmo dizer que, para o mundo,
elas estão mais vivas do que eu.
Pessoas famosas nunca morrem por inteiro.
Os outros não deixam.
Sempre precisam delas.
Provam, assim, que a morte não é igual
para todos
e que fantasmas, de alguma maneira,
de fato realmente existem.
Elas falam e andam dentro dos filmes
com a mesma naturalidade
com que cantam, as vezes, no rádio.
Ouso mesmo dizer que, para o mundo,
elas estão mais vivas do que eu.
Pessoas famosas nunca morrem por inteiro.
Os outros não deixam.
Sempre precisam delas.
Provam, assim, que a morte não é igual
para todos
e que fantasmas, de alguma maneira,
de fato realmente existem.
quarta-feira, 26 de abril de 2017
O TEMPO E A VIDA
O passado é o domínio dos mortos,
quanto mais nele mergulhamos
mediante nostalgias e ansiedades,
menos vivemos o imediato.
Por outro lado,
o futuro é o tempo dos não nascidos
e o presente o insuportável do agora
nas ansiedades e pequenas agonias dos viventes.
Já a eternidade não existe,
assim como o céu , o inferno
e a felicidade.
quanto mais nele mergulhamos
mediante nostalgias e ansiedades,
menos vivemos o imediato.
Por outro lado,
o futuro é o tempo dos não nascidos
e o presente o insuportável do agora
nas ansiedades e pequenas agonias dos viventes.
Já a eternidade não existe,
assim como o céu , o inferno
e a felicidade.
sábado, 22 de abril de 2017
ANSIEDADE CONTEMPORÂNEA
Vivo a agonia
de um inacabamento constante
a espera da morte como conclusão.
Desabo sobre meus atos
vivendo aos pedaços
entre obrigações e ócios.
Sou triste durante o dia
e inquieto no decorrer da noite.
Estou sempre ansioso
e desconfiando do futuro.
Sei que o agora é sempre pouco
e que a existência carece de soluções.
de um inacabamento constante
a espera da morte como conclusão.
Desabo sobre meus atos
vivendo aos pedaços
entre obrigações e ócios.
Sou triste durante o dia
e inquieto no decorrer da noite.
Estou sempre ansioso
e desconfiando do futuro.
Sei que o agora é sempre pouco
e que a existência carece de soluções.
AOS INIMIGOS DO SUICÍDIO
Os inimigos do suicídio
não são amigos da vida,
mas escravos da moral
e servos da ignorância.
A morte equivale a vida
na unidade do ser e do não ser.
Existir é tão frágil
quanto qualquer ilusão de eternidade,
nem vale o instante de morrer.
não são amigos da vida,
mas escravos da moral
e servos da ignorância.
A morte equivale a vida
na unidade do ser e do não ser.
Existir é tão frágil
quanto qualquer ilusão de eternidade,
nem vale o instante de morrer.
quarta-feira, 19 de abril de 2017
ANTES DO FIM
Sou um rosto,
um nome e um silêncio.
Nada disso faz muito sentido.
Fosse eu um não nascido,
o mundo ainda seria mundo
e o universo este absurdo
quase ilegível.
Por isso pouco me importa a vida
ou o futuro da humanidade.
Estou mais preocupado em inventar a mim mesmo
antes que a morte me resolva através do nada.
MORRER DORMINDO
Soube que fulana morreu dormindo.
Fico feliz por fulana
que nunca pensou na morte,
viveu sua vida
e se desfez sem desgosto,
adeus ou choro.
Espero morrer como fulana
indiferente ao meu próprio fim
enquanto me desfaço
nas paisagens de algum sonho.
Fico feliz por fulana
que nunca pensou na morte,
viveu sua vida
e se desfez sem desgosto,
adeus ou choro.
Espero morrer como fulana
indiferente ao meu próprio fim
enquanto me desfaço
nas paisagens de algum sonho.
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