domingo, 1 de novembro de 2026

A ARTE, O ARTISTA, A SORTE E A MORTE

Todo artista acredita
que criar é aprender a ser livre.
Mas a arte é longa
e  breve é a vida.
Assim, a finitude faz do artista um anarquista,
que desafia a autoridade da sorte, 
da doença e da morte,
que lhes perseguem em comitiva.


EMBRIAGUEZ SOBERANA

Bebo ao tempo que me mata
e a eternidade que me escapa.

Bebo a finitude, ao anonimato
e a minha insignificância. 

Bebo aos meus mortos,
a vida dos outros e
a minha morte.

Bebo porque sou nada,
porque me falta sorte.

O SILÊNCIO EM NOSSAS PALAVRAS

Só  o silêncio pode dizer o vazio de nossas palavras.
Um silêncio que traduz o tempo que passa no corpo que envelhece,
que nos mata na memória  que se perde.
Um silêncio tão  absoluto que apaga todas as verdades e discursos,
tão  profundo que supera a vida como simulacro que nos esclarece. 

Há  um silêncio crescendo em nossas palavras,  adoecendo o dito e o escrito,
a representação e o simulacro.