segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O AMANHÃ SÓ EXISTE NO CREDIÁRIO

O amanhã  não  existe.
Todo mundo sabe.

Vivemos o dia seguinte
duvidando do futuro
na expectativa  do fim do mundo.

A vida é  curta e absurda.
Não  faça  planos.
O hoje é  nossa eternidade.

O amanhã  só existe no crediário. 





sábado, 22 de agosto de 2026

SOU APENAS UM CORPO QUE MORRE

Sou apenas um corpo
preso a um tempo
e a um espaço. 

Um corpo que diz silêncios,
que inventa afetos e memórias
fechado na fantasia
de sua pequena existência.

Um corpo que quase não sabe de si
entre tantos outros.
Um corpo classificado pela cor da pele, reduzido a estatística,
mão de obra barata e a uma conta no banco.

Um corpo que sente, 
que come, caga, fala
e morre preso a uma tempo
e a um espaço que o apaga e consome.









sexta-feira, 21 de agosto de 2026

DIA, AGONIA E UM OUTRO LUGAR QUALQUER




A rotina morta 
anuncia o deserto
do novo dia.

O tempo é agonia,
o pensamento é  dor 
e o sentimento preguiça. 

A vida acontece
em outro lugar
muito longe 
daqui e agora.

Um lugar onde a rotina
não  é  morta,
o dia tem cheiro de jardim
e a gente se diverte fazendo bolas de sabão. 

O dia foge a rotina
onde imaginações reinventam infâncias. 





quarta-feira, 19 de agosto de 2026

IRRELEVÂNCIA E FINITUDE

Quase tudo que faço  é  descartável,
inútil e banal.
Quase tudo que penso, digo ou quero
é fútil.
Não  vejo, portanto, razão  para desejar eternidades quando tudo que me envolve é  materia digna de esquecimento. 
O fim é  o melhor destino de uma vida consagrada a colecionar insignificâncias. 
A morte é, no final das contas,  o que há  de mais justo na existência diante de nossa cotidiana irrelevância. 

sábado, 15 de agosto de 2026

PROVOCAÇÃO NIILISTA

Não  nos intimida o moralismo cristão,
as normativas do senhores da razão,
e pregações dos guardiões  da sagrada Verdade.

Nossa meta é a troça e a  diversão. 
Rimos de tudo que é sério,
do que é respeitável,
do que é  bom e belo.
Não reconhecemos a autoridate dos doutos,
dos governantes e dos legisladores.

A vida não  vale qualquer discussão
ou recomendação da boa razão.  
Afinal, o futuro é  a morte
e, um pouco mais adiante,
já se anuncia o merecido fim da civilização. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

EU ACREDITO NA RAIVA E NA LUTA

Eu acredito no desvio,
na fuga e na angustia.

Eu aposto no desespero
de quem não vê  saída
e ousa a recusa.

Eu acredito no tudo ou nada,
na força da rua que transborda
em raiva.

Sei que a dor,
a necessidade e a revolta,
é o que alimenta e inspira a luta.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

SINGULARIDADE E FINITUDE


Tudo que é eterno é  medíocre, insignificante.
Pois é a morte  o que torna a vida interessante.

O que passa é  raro, singular e fecundo.
Tudo que morre é  sublime, tragico e único.

Maravilhosa é a fragilidade deste puro instante que sustenta, provisoriamente, 
a vida na incerteza do tempo e do espaço.

Dentro de mim tudo é distante.
Tudo é  outro neste corpo
que logo estará morto.



quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A MORTE MISTERIOSA

Havia uma morte oculta
no fundo da xícara de café.
Era uma morte sem objeto.
Ela não matava ninguém. 
Ainda assim era uma morte
dentro da vida de alguém. 

terça-feira, 28 de julho de 2026

ENTRE O FIM DO DIA E O FIM DO MUNDO

Entre o fim do dia e o fim do mundo 
uma esperança  me surpreende sorridente.
Pena que ela não dure para sempre
entre as ruinas do tempo presente.

O desastre se espalha entre o passado e o futuro.
reduzindo o tempo a uma infinita catastrofe
natural e humana.

É  tarde. 
É muito tarde para ter esperança.
O deserto já  engoliu a paisagem
entre o fim do dia e o fim do mundo.



sábado, 25 de julho de 2026

A BANALIDADE DA MORTE

A morte é  banal,
cotidiana e insana.

Todo dia a vida termina
pra tanta gente
que ninguém sabe, afinal,
o tamanho da morte,
enquanto acontecimento social.

Onde há  vida,
a morte é  soberana.


quarta-feira, 22 de julho de 2026

SUPERMERCADO


A vida é o que se compra  no supermercado.

Assim vou levando uma existência  de plástico, biodegradável, 
até  o certo fim dos meus dias.

Vou me alimentando de carne congelada,
comida processada e nacos de pão barato.

Tenho pouco dinheiro para gastar no supermercado
 enquanto tudo apodrece 
no fluxo das  mercadorias
em tempos de carestia.











terça-feira, 21 de julho de 2026

MORTE E TRABALHO

Não sou o apêndice 
de qualquer atividade laboral.
Não sou o que faço para sobreviver.

Não sou o salário, o cansaço,
ou essa angústia.

Não o consumo,
o dinheiro que não tenho
e a certeza do fim do mundo.

Sou o tempo que me falta
para, simplesmente, viver.
Sou a vida que me escapa
no trabalho que me mata.

terça-feira, 14 de julho de 2026

TUDO QUE MAIS ME IMPORTAVA

Tudo que mais me importava,
tudo que eu mais amava,
hoje  não existe mais...

É  passado, ausência, lembrança,
e NADA...

Tudo que mais me importava
não faz mais sentido.
É como  água perdida num rio,
é um vazio,
é tudo que passa...
É nada mais do que NADA.


sábado, 11 de julho de 2026

QUANTO TEMPO?

Quanto tempo falta
para o tempo perder
a importância?
Para a vida se reduzir
a sua completa insignificância?

Quanto tempo até a gente 
perder de vez a esperança?

Quanto tempo até a morte
comer o meu corpo
e todas as minhas lembranças?


sábado, 4 de julho de 2026

TODOS OS PASSADOS SÃO IGUAIS

Todos os passados
são  iguais.
São uma composição caótica de lembranças,
de borrões e sombras.

O passado só  existe como silêncio,
esquecimento,
extrapolando o tempo,
a vida e o pensamento.

O passado é  a morte dentro de nós. 
Todos os passados são  iguais.











 




quinta-feira, 18 de junho de 2026

MORTE E NÃO SER


Morrer é  não ser,
é  não  acontecer,
dissolver-se em tudo
que há  e será. 

Morrer é  ser na ausência,
 no silêncio e na saudade
dos que permanecem morrendo
no tempo e no espaço. 



quinta-feira, 11 de junho de 2026

QUASE FIM DO MUNDO

É  quase fim de semana,
quase fim do mundo,
quase fim da vida.

É  quase silêncio,
quase precipício. 
Quanto tempo nos resta,
nos falta, nos carrega?

A eternidade cabe hoje
no labirinto de um segundo.
É  quase fim do mundo,
viva a poesia, a morte e o absurdo.

sábado, 6 de junho de 2026

NÃO HÁ RESSURREIÇÃO DOS MORTOS

Não há ressurreição dos mortos.
Somos apenas corpos,
que nascem, crescem,
envelhecem, morrem  e apodrecem,
para que a vida continue
além  de nós 
por gerações e gerações 
de novos corpos
igualmente  condenados
a nascer, crescer,
envelhecer, morrer e apodrecer.

Não há eternidade,
nem ressurreição dos mortos.
Há apenas corpos,
nascendo, crescendo e morrendo
na prisão  do tempo e espaço de nós mesmos.

domingo, 10 de maio de 2026

AFORISMO SOBRE O SILÊNCIO DA VIDA

Não  é o silêncio da morte que assusta,
mas a mudez da vida.
Estamos sempre a espera de alguma coisa,
na expectativa de qualquer novidade que jamais ganha as cores da realidade.
Quando nos damos conta da inutilidade de tal expectativa, começamos a morrer, sufocados pela estagnação  e a inércia de nossas próprias rotinas.
Afinal, a vida só progride onde há mudança e a morte é  o triunfo do sempre igual.

sábado, 25 de abril de 2026

FÍSICA, DELÍRIO E EXISTÊNCIA



Sou um ponto cego em um universo
que não  sabe de si,
mas se revela a uma  consciência que o inventa.

Sei que o que é  grande é também  pequeno,
que o que está em cima é espelho do que está em baixo,
que a terra gira em torno de si
e o universo se expande contra si mesmo.

As vezes penso que a vida acontece ao contrário...
Mas sou apenas um corpo fabulando o mundo,
ou, talvez alguém  que sonha dentro de um sonho um universo imaginário.