segunda-feira, 11 de julho de 2016

SOBRE O PASSAR DAS COISAS E DE MIM MESMO

As épocas passam,
As pessoas morrem
E as coisas  se estragam.
O melhor que faço
É esquecer a cabeça sobre o travesseiro
E abstrair a mim mesmo.
Pois nem mesmo sem direito
Aquilo que sou.
Só sei que desapareço
Sem nunca ter sido
Se quer um terço de mim mesmo

Em meus estranhamentos de mundo.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

AMAR E MORRER

O silêncio da morte é insuportável.
É puro desejo bruto
Doendo na ausência daqueles que amamos.

Como seguir vivendo tão vazio de alguém?
A morte do outro é parte do nosso próprio morrer.
E isso é tudo que o amor realiza.

Mas como não amar?
Como escapar ao morrer
Quando nisso reside
O próprio sentido de viver?


quarta-feira, 6 de julho de 2016

MUITO ALÉM DA CULTURA E DA CIVILIZAÇÃO

A consciência é um fenômeno relativamente secundário na dinâmica biológica do corpo humano. Na maior parte do tempo, enquanto um complexo de processos físico químicos, ele funciona de modo automático em sua manutenção interna. O fluxo de imagens que caracteriza a consciência e sua relação ativa com a realidade objetiva é secundário quando pensamos o corpo como uma dinâmica viva cuja prioridade é sua própria manutenção enquanto totalidade orgânica.


Todas as nossas preciosas codificações da realidade ocupam o segundo plano da vida juntamente com nossas formulações sobre as virtudes da humanidade.  Nada do que pode ser pensado é realmente importante considerando a irracionalidade da natureza.

terça-feira, 5 de julho de 2016

BREVIDADE

Um dia minha existência se tornará inviável
E todo o meu  cotidiano será desfeito
Através da minha definitiva ausência
Do cenário do mundo.
Não existirei,
Como foi desde sempre
Fora deste breve intervalo
Em que me fiz ficção biológica.
Que realidade pode de fato existir

Na vida dada sua brevidade?

segunda-feira, 4 de julho de 2016

MORTE E MUDANÇA

O desenvolvimento, a mudança, é inerente à própria existência. Existir é um negar-se permanentemente; uma busca pelo devir, pelo inteiramente outro de si mesmo, que se consome no inacabamento da morte. A mudança é irmã da morte. Somos todos conservadores ingênuos de nos mesmos.

ESTAMOS TODOS MORRENDO

Estamos todos morrendo.
Isso acontece todos os dias
No cotidiano do corpo
Dentro do tempo.
Morrer é o único fundamento da existência.
Morremos o tempo todo e não percebemos.
Neste exato momento a vida diminui um pouco
Dentro de nós.

Mas isso não cabe no instante deste verso.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

EXISTEM COISAS PIORES DO QUE A MORTE

Não é nenhum exagero dizer que existem coisas piores do que a morte.  A existência é sempre o problema e, às vezes, ela não vale uma vida. Doenças, angustias, perdas e toda modalidade de infortúnio, nos fazem pensar o quanto a existência pode assumir formas desagradáveis e degradantes que apagam definitivamente o valor da vida. Viver não é um dado cultural, mas uma construção subjetiva, um exercício de si mesmo que, quando impossibilitado de acontecer pelos dissabores da existência, extingue-se antes do morrer biológico decretar o definitivo ponto final biográfico.

Existem coisas piores do que a morte  e a vida não  existe onde impera o sofrimento.