terça-feira, 9 de agosto de 2016

NÃO ME DEIXEM MORRER

Meu derradeiro texto será uma página em branco
Onde espero que vejam
Tudo aquilo que o tempo não me permitiu dizer.
Se a morte é ausência, quero que meus atos abortados gritem,
Que perturbem a vida até que desmorone toda a eternidade.
Não deixem que eu me torne silêncio,
Nem façam de mim um pálido e inútil fantasma.
Bebam o meu sangue;
Vivam meu desespero, minhas vontades e meus vazios.

Um dia seremos  todos o mesmo silêncio....

A VIDA SEGUE APESAR DA GENTE

Entre silêncios e limites
Aprendi a falar pouco,
Querer quase nada
E não me iludir com verdades.

Sei a perenidade de tudo aquilo que existe
E a desrazão das coisas.
A vida não faz sentido.
Não passa de um acidente que deu certo
Ou do erro que vingou.

Hoje eu existo,
Amanhã serei esquecido
E tudo que fui será novamente
Através de um outro.
A vida sempre segue,

Apesar da gente.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

MEMÓRIAS DO ESQUECIMENTO

Sempre é preciso esquecer qualquer coisa,
Abandonar o passado em alguma parte do caminho
E seguir em frente como se o ontem fosse apenas um sonho antigo.
Não pelas promessas do futuro,
Mas pelo simples fato de que tudo definha e passa
E a vida continua até o precipício.
Então não leve nada demasiadamente a sério,
Nem se apegue a falsas certezas ou seguranças.
Esqueça de uma vez tudo aquilo que deve ser esquecido.

Selecione suas lembranças.

INSTABILIDADE

Eu me sei na relatividade da morte,
No passar do tempo através de mim mesmo,
Desinventando a infância e a velhice.

Eu me sei como irregularidade,
Como indeterminação e incerteza,
No provisório do meu sentimento das coisas.
Pouco imagino o futuro.
Apenas sei os limites do agora

Como horizonte de minha própria existência.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

VIVER É MORRER




Considerando que a morte é ausência e silêncio,  de modo bem amplo, podemos tomar como uma situação de morte toda circunstancia onde somos impedidos de  agir, onde o silêncio fala mais do que os atos e fatos.

Começamos a morrer quando nos surpreendemos impotentes e estagnados,
Quando já não faz diferença o dia seguinte.
Morrer é um processo que se inicia no mais profundo da própria vida.


Não se admirem se algum dia for nitidamente claro o quanto é mais fácil  aceitar a morte do que a própria vida.

DIALÉTICA MORTAL

Enquanto a vida some lá fora
E eu me desfaço aqui dentro
Você simplesmente nasce.

Quanta ironia existe
Em acompanhar seus dias
Enquanto vivo  em noites.
Mas assim é o tempo
Em seu sarcasmo e silêncio.
A existência é contraste,

Dialética  ...

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

DEPOIS DOS QUARENTA

“Em  sentido mais amplo, pode-se dizer também que os primeiros quarenta anos da vida fornecem o texto, e os trinta seguintes o comentário que nos ensina o verdadeiro e a coesão do texto, bem como sua moral e todas as suas sutilezas.”
Arthur Schopenhauer in Aforismos para a sabedoria da vida


Depois dos quarenta anos  nos surpreendemos prisioneiros de nossas realizações cristalizadas ou pela ausência delas. O leque de opções  se estreita e geralmente nos conformamos a persona que nos tornamos ao longo dos anos e com suas consequências biográficas. Começamos a envelhecer e nos tornarmos obsoletos sem se quer se dar conta disso. Os dias já não passam da mesma forma, o passado se torna cada vez mais  decisivo do que qualquer miragem de futuro.  Torna-se decisivo aquilo que conservamos  e não as mudanças do dia a dia. Somos , assim, reduzidos a uma existência crua, sem o adorno dos desejos e sonhos que tanto inspira a juventude.