segunda-feira, 13 de novembro de 2017

FANTASMAS

Se a morte é essencialmente ausência, tudo que podemos oferecer aos nossos mortos o consolo de nossa lembrança. O afeto nos leva a livra-los da fatalidade do esquecimento, mesmo que de modo insuficiente e precário. A lembrança se converte em uma forma de vaga presença, de companhia que nos habita a imaginação. Assim, participamos da morte dos outros oferecendo uma parcela de nossa própria vida.

sábado, 11 de novembro de 2017

TEMOS UM PASSADO

Temos um passado que cresce enquanto gradativamente o futuro desaparece do nosso horizonte.
Temos um passado que nos define.
A maior parte do tempo presente
É feito de lembranças.
É através delas que realmente existimos
Depois de certa idade.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

AUTO RETRATO DE UM NIILISTA

Sou um ninguém habitando um rosto entre estranhos. Julgo-me mesmo relativamente invisível ao mundo nesta formal e irrelevante existência numérica. Não sou de qualquer forma importante. Apenas um consumidor de coisas inúteis, como outro qualquer, seguindo as tendências do seu tempo. Involuntariamente contribuo para perpetuação da grande comedia humana. Mesmo que sobre protestos.

Tudo que me define é a indeterminação niilista de uma consciência perplexa.

ESCRAVOS DO TEMPO


Somos todos escravos do tempo
Existindo na contra mão da vida
Através desta finitude
Que nos define como indivíduos.
Somos todos menos que nada
Delirando infinitos
Através do espaço
Adivinhando mitos.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A VIDA COMO PERPLEXIDADE

Aquilo que não pode ser reduzido a palavra,
A memória,
Nem esgotado por qualquer ciência
Pois não se conforma ao fato.
Assim definiria sumariamente esta coisa estranha
Que é estar vivo.

Tudo que compreende minha existência,
Aquilo que é dado e concreto,
Me causa espanto,
Inclusive isso que chamam
De consciência.

No fundo tudo se apresenta como um sonho
Que exibiu algum defeito
E inventou, assim, a realidade.

sábado, 4 de novembro de 2017

O LIVRO DA VIDA

O tempo escreveu a folha em branco da minha existência no livro da desventura humana. Repetiu o mesmo enredo sem sentido de sempre, afirmando a vida como um erro corrigido por um ponto final.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

CONSCIÊNCIA TRÁGICA

Uma consciência trágica da existência é aquela que nos reduz a finitude do corpo, ao tempo como topografia da imaginação da existência.
Imersos no devir do mundo como indeterminado acontecimento, inventamos nosso íntimo inacabamento atraves da aparente constancia dos dias e das noites que nos consomem.