segunda-feira, 6 de maio de 2019

INDETERMINAÇÃO EXISTENCIAL

Não sou nada.
Mas em tudo que vejo,
Toco e faço,
Sou um mundo inteiro.
Estou contido naquilo que me transcende.

Uma criança que acaba de nascer,
Do outro lado do mundo,
Contém um pouco de mim.

O PARADOXO DA VIDA

O grande paradoxo da vida é que tudo que existe está destinado a desaparecer. Isso porque o próprio tempo não existe. Existir é uma ilusão que se propaga através de arranjos e rearranjos sempre provisórios da matéria. 

Tudo que é manifesto é uma brincadeira de pequeninas partículas que se misturam e se separam como inocentes crianças brincando de múltiplas cirandas.

Não há consciência ou teleologia no lúdico e despretensioso acontecer da natureza. Tudo é afeto circulante perpassando o múltiplo.

domingo, 5 de maio de 2019

MORTE E MELANCOLIA

A tristeza mata aos poucos.
Não há como conviver com o insuportável,
Com a falta, o luto, a dor e a perda.
Não há futuro onde grita o passado,
Onde é impossível esquecer.
O agora não importa.
A tristeza mata aos poucos.
Não há como sobreviver.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

SOBRE O TEMPO

O tempo é corpo, ato, memória, esquecimento e retorno. 
É sobretudo corpo, matéria em movimento.

O tempo não é vida, muito menos processo. Ele não tem forma,  é sem alma.  Tem gosto de morte e dele depende nossa sorte.

O tempo é agonia.

MORTE, EU E NATUREZA


Minha existência não passa de um ponto incerto no tempo. É justamente função de sua micro definição que sustenta sua indeterminação, sua plasticidade. Fechada em si mesma, minha existência replica a vida humana como variação quase infinita da natureza através da perpetuação da espécie.  

Por tudo isso a morte nada deveria significar para mim. Entretanto, contrariando a natureza, sou inadequado a minha própria finitude.

A NOSTALGIA MATA....


Há muitas maneiras de cortejar a morte.

Posso viver o passado como um braço arrancado, quando a experiência do presente nada me oferece de bom.
Posso, assim, me perder de vez de qualquer futuro, fugir a realidade, fazendo do ontem o que virá depois.

Isso acontece com muita gente... e elas estão todas morrendo com uma rapidez assustadora.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

FILOSOFIA DO SILÊNCIO

A vida guarda zonas de silêncio. Diante do envelhecimento e da morte, por exemplo,  constantemente nos defrontamos com elas e experimentarmos angústias.

Nem tudo podemos dominar pela palavra. A brutalidade da existência as vezes ganha formas intensas desafiando o dizível e o pensável.

Muitas vezes o silêncio ( que é diferente do mudismo) é apenas a franca expressão do vazio, do irracional, que aleatoriamente, define todo acontecimento.

É sempre conveniente explorar o silêncio contra todas as nossas certezas e convicções.