segunda-feira, 9 de novembro de 2020

A LIBERDADE É A MORTE

 

 


 

A liberdade é a morte,

a afirmação do não ser,

contra a imperativa necessidade de existir,

enterrado em apetites e hábitos

na casca de um rosto qualquer.




Só há paz quando

Nenhuma vontade nos conforma a verdade,

nenhuma necessidade nos obriga a humanidade.


Repito: a liberdade é a morte.

Esta musa inconfessa de todo niilismo,

de toda revolução e reviravoltas da natureza..


quinta-feira, 5 de novembro de 2020

A MORTE É A RAZÃO DA VIDA

Condenados a uma existência efêmera e sem sentido não  temos motivos para temer a morte, o desaparecer do mundo no abismo definitivo  do não  ser.
A consciência de nossa finitude deveria nos levar a uma transvaloração da existência,  a afirmação da sua insignificancia.
Viver, afinal, não  é  lá grande coisa. Somos prisioneiros da necessidade e da dor. Não  há razão  para sonhar durável uma experiência tão  melancólica e frustrante.
A morte está escrita em nossos corpos como fundamento da própria vida e da experiência do tempo e do espaço através de nossa débil consciência.

AMOR E LUTO

A dor da ausência 
É  a mais sincera expressão  de afeto,
Do saber alguém como parte de de si mesmo.

O amor redescoberto como luto
nos transforma,
Muda a vida e o tempo 
É ensina o valor do impossível.


DO NADA AO NADA

 

Nada me leva a nada.

Minha sorte é a morte

certa e inesperada.


Nenhuma conquista,

realização ou afeição

me comunica a vida.


Sigo quase mudo no enfado dos dias

no absoluto desvalor do mundo.


Não deixarei legado para ser lembrado.

Nada vivi de importante

para ser lembrado além da morte.


Meus restos apenas serão esquecidos

em um canto de cemitério.

Mas isso vale para todo mundo.

MORRER DORMINDO

 

 


 

Poucos são aqueles

que tem a sorte

de morrer dormindo,

que escapam da vida

passeando em um sonho,

que desaparecem felizes

do palco do grande teatro da humanidade.


Quero morrer vestido de noite,

sem consciência e sem despedida

em alguma fantasia possível

de multiversos oníricos.


quarta-feira, 4 de novembro de 2020

PLENITUDE

 


 

Há liberdade

apenas no findar do instante,

no calar dos atos e pensamentos

que decoram a incerteza de um momento.


Há beleza apenas no esquecimento,

no perder-se das coisas,

no silêncio.


Há felicidade apenas

onde deixamos de ser,

onde escapamos ao fardo de existir.

domingo, 1 de novembro de 2020

AOS MEUS FINADOS

Aqueles que estão  ausentes,
Vivem na minha memória,
Persistem no eco de suas presenças, 
De um modo que seria indecente
Dizer que a morte os define
Como não  viventes.
Aqueles que nunca mais eu verei,
Quê antecipam meu desaparecimento,
São  parte de mim,
De um viver que me escapa,
Que me desfaz
Na medida que me faz ser.