terça-feira, 31 de outubro de 2017

NÃO ACREDITE NA VIDA

Educados desde cedo para acreditar na vida, aprendemos a chorar sem motivo.
A vida, afinal, não faz o menor sentido. A sociedade nos mata aos poucos com o fanatismo desesperado de seu otimismo vazio. 
Não há sabedoria fora do pessimismo, este delicado adorno niilista, que enfeita a testa dos descrentes.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A INEXISTÊNCIA COMO PREMISSA DA EXISTÊNCIA

A vida se esconde da morte. Mas não pode nega-la como destino de tudo aquilo que existe.
Morrer é um conceito humano que não dá conta da morte em sua concretude fenomenológica. O que torna o existir  quase um equívoco, um descuido,  da natureza.
A vida escondida em si mesma realiza a morte. Pois está submetida ao princípio da inexistência.
A inexistência abarca de um modo estranho tudo aquilo que existe.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O TEMPO E A VIDA

Considerando o tempo de uma sociedade, todas as vidas são curtas, imperfeitas e ralas. Mas para um individuo, uma década equivale a uma eternidade quando bem vivida. A morte torna o tempo relativo. Os anos nunca são suficientes. Mas, ao mesmo tempo, que tédio seria a eternidade.

Não há como medir o tempo de uma vida, pois o que realmente importa é sua qualidade, sua significação através de nossas experiências acumuladas. Quantos dias, afinal, não nos são inúteis na contagem dos anos? A  questão é saber aproveitar o tempo. Não há receita. Cada um sabe o vazio a ser preenchido em seus anos. Mesmo que passe a vida inteira tentando dominar seu próprio relógio, fugir a rotina das horas domesticadas do correr mecânico dos dias.


APRENDA A MORRER

Não há alma
Que nos livre da morte.
Nenhuma eternidade
Nos substituirá o futuro.
Morrermos e pronto.
Que mal há nisso?
Morrer é tudo.
Não é mais absurdo
Do que o nascimento.
O corpo ensina a morte

Através do tempo.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

NIILISMO HOJE

Não me vejo hoje como o caprichoso arquiteto de qualquer discurso novo sobre a existência.  Já não vivemos tempos de grandes novidades, mas de verdades recicladas, certezas requentadas e de  um grande vazio existencial. Perdemos nossas crenças no mundo, nossas ilusões de progresso. Mas ganhamos muito aprendendo a duvidar de nós mesmos. Logo, me vejo como um niilista, um partidário da hermenêutica do não sentido. Tudo que digo não me define.

NÃO EXISTÊNCIA

A não existência supera em muito a existência. Mas não podemos aprecia-la, nem mesmo sofre-la, ao contrário da vida. A não existência é o grande desafio e limite do pensamento. È algo que não se sabe através de palavras. É, ao contrário, exatamente aquilo que nos cala. Na maior parte do tempo não existimos. Existir é um acidente provisório a ser corrigido pelo nada absoluto. Não se entusiasme demais com a vida. Não vale a pena.

sábado, 21 de outubro de 2017

O INCONCILIÁVEL OU INEGOCIÁVEL DA MORTE

A morte possui uma intima relação com o passado e com a memória. Ela sempre nos remete a lembrança de pessoas que perdemos, de momentos que não voltam mais. Trata-se, entretanto, de uma associação ilusória. Nossas lembranças remetem a vida que se foi, nada remetem a morte, visto que ela é silêncio e desaparecimento. Tendemos a reduzir a própria morte a representação da vida. Mesmo quando não lhe impomos a fantasia de uma eternidade metafísica.   A morte é um conceito limite que transcende qualquer representação. Pode-se mesmo dizer que ela é a ausência de representação e da própria linguagem. Trata-se de algo que não pode ser definido em termos de consciência. Representar a morte é um contra senso. Mesmo o falar sobre a morte é um dizer da vida.