domingo, 15 de novembro de 2015

TEMPOS SOMBRIOS

Mais uma tragédia,
Mais mortes precipitadas
Pelo absurdo que define
Tudo aquilo que ainda nos resta do mundo.
Não cabem  explicações, discursos e lutos coletivos.
Precisamos apenas  viver a  perplexidade,
O  estranhamento , o susto
E espanto
Diante do vazio de nossas certezas.
O tempo passa, as guerras mudam,
Mas a morte....

A morte é sempre a mesma.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

SOBRE O TÉDIO

Buscava uma existência intensa.
Ignorava que a intensidade não se sustenta,
não aguenta a vida.
Na maior parte do tempo
somos prisioneiros do tédio
e escravos dos nossos silêncios.
Enterrados em  desinteressantes rotinas
seguimos de encontro ao nada
comovidos pelo embuste

que é a própria vida. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A POESIA DIANTE DA MORTE NA CONTEMPORÂNEIDADE

Afinal,  o que ainda é possível dizer sobre a poesia e os poetas?
A poesia se tornou uma arte banal, um tédio, definitivamente não anda bem das pernas.

Os poetas já não tem muito brilho. Andam por ai sempre tentando dizer alguma coisa boa quando habitamos um hospício de mundo e não temos mais coisas boas para viver. Acho que nunca tivemos.

Claro. Existem aqueles que se pretendem malditos e se ocupam com versos livres e tristes. Mas  são incapazes de dizer o agora de si mesmos, as nuanças de suas melancolias e a vaidade em seus punhos.

Pessoalmente, faço versos desdizendo a vida, as coisas, as pessoas, os sentimentos e, principalmente, toda possível ilusão de esperança.

Estamos destinados a morte. E é contra ela que escrevo.

Sei que quando se morre nos reduzimos a escrita, ao dito e ao feito gramatical.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

DEVIR, MORTE E REPRESENTAÇÃO DO MUNDO

O mundo só pode ser representado de modo humano quando adotamos como critério  de sua presença a finitude  através da qual ele se  inscreve no horizonte da morte, em que se apresenta como um devir constante de todas as coisas.

Não falo do morrer concreto e objetivo do humano, mas do morrer enquanto um processo de tornar-se outro, ou uma variação de si mesmo, que caracteriza todas as coisas através do tempo e do espaço.


Tal é o critério da consciência humana para estabelecer a realidade como manifesta presença de uma objetividade, de um mundo que nos envolve e faz parte dele.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

NADIFICAÇÃO

Em que pesem meus  míseros juízos,
minha precária lucidez
e as introjetadas mentiras de mundo
que me definem como ser social,
existo...
mesmo que desistindo a todo instante,
mesmo que provisório e impreciso.
Meus pés frequentam o impossível
e o fim retarda o ponto final

onde novamente me espera o  nada.

O NIVELAMENTO DA VIDA E DA MORTE

Não raramente  experimento o luto por estar vivo,
me sinto parte de um passado que não para de crescer.
É como se a própria existência fosse uma condição de morte,
um permanente estado  de desconstrução.

Poucos sabem que existo.
Sou visível para uma insignificante parcela de humanidade.
Para a grande maioria  sempre será
como se eu nunca tivesse existido.


A vida não é grande coisa...

domingo, 1 de novembro de 2015

INATIVIDADE

A rotinização da vida me faz amar o ócio,
O descaso comigo mesmo
E o prazer de me espreguiçar o dia inteiro
Sem  sair do lugar.

Já basta o peso das horas em sociedade,
A morte do tempo na mecânica dos atos
Pré fabricados.

Preciso  do relógio parado e do me esquecer um pouco,
Brincar de não ser, de não saber.

Por favor, mantenham a porta fechada.
Deixem o mundo se acabando lá fora
Que por aqui nada tenho a fazer
A não ser contemplar
O sem sentido do simplesmente

existir.