segunda-feira, 12 de junho de 2017

AS RUINAS DO FUTURO

O futuro sempre me pareceu uma espécie de pesadelo. Nele , eu e todos aqueles que conheci estarão mortos e o mundo será um lugar exótico onde não me reconhecerei ou terei lugar. Não vejo como alguém pode ter sinceramente boas expectativas sobre o futuro ou construir uma imagem positiva sobre a ideia de progresso.

Para mim, o tempo que realmente importa é o passado . Tudo 

aquilo que de nós se perde através dele inventa o futuro como 

um acumulo infinito de ruinas.

ANSIEDADE E DEVIR

A contemporaneidade gera ansiedade. Este é o mais claro sintoma da fragilização dos indivíduos em uma cultura fundada no excesso, seja de informação, de prazer, de convicção, de saúde, ou, simplesmente, de existência. Nada nos é suficiente quando o devir é mais intenso do que nossas cotidianas certezas .  Tudo muda o tempo todo. Isso significa que já não há enraizamentos ontológicos. 

Tudo é perecível de um modo realmente assombroso. Mesmo os enunciados com pretensão a verdade já não dão conta de nossas teleologias racionais, pois a desfuncionalidade  tornou-se evidente no nosso modo de ser social.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

A VAIDADE DE SER


Viver é fazer coisas. A inercia é o oposto da vida. Mesmo quando estamos parados estamos assumindo uma posição momentânea e precária que em pouco tempo é substituída pelo ato e nada mais é do que um intervalo entre uma ação e outra. Além disso,  mesmo na inercia existe o acontecer dos fatos. O não existir é a única forma de não acontecer ou não sofrer acontecimentos.  Uma causa é o sofrer de um efeito.

Mas se viver é fazer coisas, isso não significa que nossas ações sejam importantes ou modifiquem algo externamente ao nosso modo de entender a existência. Tudo me faz acreditar no contrário. Toda realização humana é insignificante se pensarmos no acontecer do universo. Universo este que ainda somos capazes de conceber apenas precariamente.


Assim, a realidade é o mais confortante conceito humano, pois nos faz sentir parte de tudo aquilo que nos cerca. Mais do que isso, nos torna demasiadamente vaidosos quanto a nossa ilusória capacidade humana de modificar o mundo vivido. Mas toda invenção humana é irrelevante do ponto de vista da natureza. A humanidade exagera demasiadamente o valor de seus feitos e os efeitos nulos de sua realidade.

NA CONTRAMÃO DO TEMPO

Ocupo-me basicamente do que me aconteceu
E quase não percebo o que me acontece.
A vida só tem sentido retrospectivamente.

Somos feitos do que não mais existe
Até chegar ao ponto
Através do qual desaparecemos
Retornando ao instante
Antes do nosso próprio nascimento.

SOBRE A INSIGNIFICÂNCIA HUMANA

Durante muito tempo o universo existiu sem o ser humano. Depois de alguns milênios ele continua se quer sabendo de sua presença. Mas acreditamos, mesmo assim, que nossa consciência de mundo representa grande coisa... No fundo o fenômeno humano é mais  insignificante do que uma gota de chuva. Mas medimos o mundo por nossa existência banal. É incrível como apostamos na razão, contra todos os silêncios da natureza diante da vida. Nem mesmo calamos diante da morte nossa pretensão a falsa  grandeza.


Mas o sentido da vida continua sendo o não sentido contra toda sedutora pretensão a verdade que frequenta nossos enunciados.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

A INDIFERENÇA DA EXISTÊNCIA

O mundo seria o mesmo sem mim.
Os poucos que me conheceram
E fizeram parte da minha existência
Ainda teriam suas vidas
Caso eu não houvesse nascido.
Mesmo se tivesse filhos,
Seria apenas mais um pai
Igual a qualquer outro
Sem qualquer traço pessoal.

A existência ignora a todos.

FILOSOFIA DO NÃO SENTIDO

Nunca encontrei ninguém através dos livros que me dissesse qualquer coisa que pudesse por abaixo todas as certezas que decoram nossa experiência social do mundo.  Fui, ao contrário, vitima de uma demasiada afirmação do ser e do pensar positivo, de enunciados diversos  com pretensão a verdade e ao esclarecimento abstrato.

Nunca compreendi direito a natureza da razão, o dizer rebuscado das ditas coisas do espírito que não valem a experiência de uma boa  garrafa de vinho. Tamanho é meu niilismo que não me deixo facilmente levar pelo raciocínio mais perfeito. Todo o edifício do pensamento parece-me assentado sobre fundações frágeis.


Nada me parece proporcionar a realidade qualquer sentido, propósito ou teleologia que de algum modo seja convincente. Acorda  em mim , diante de todas as narrativas possíveis, sejam filosóficas ou científicas,  um profundo fastio e descrença diante da condição humana e seus feitos. Nada me parece digno de valor. Toda a História humana não passa de uma patética aventura onde todo ato e fato criador permanece etéreo frente ao devir que permeia toda experiência possível  das coisas.Tudo aquilo que existe está destinado ao desaparecimento.