sábado, 9 de fevereiro de 2019

A VIDA SÓ EXISTE EM SI MESMA


A vida é em si mesma através deste corpo que sou. Por isso o "eu sou" tem pouca importância. O "eu" é constituído pelo que lhe transcende através da consciência e da linguagem que, por definição, são processos impessoais.


Se o sublime é aquilo que nos ultrapassa, o que nos faz insignificantes, posso afirmar que a vida é sublime, pois nos reduz a nada. Somos apenas seu "efeito" ou, dito de outra maneira, a  vida é apenas em si mesma. 

Eu existo, mas não sou a vida. Sou apenas um corpo que vive. A vida, como é em si mesma, não carece de viver.

ACONTECIMENTO

O passado é uma invenção da memória.
O que aconteceu se perdeu para sempre.
É peso morto no tempo.
Apenas uma parte rasa dos fatos permanece presente,
Comunicam o por vir,
O encadeamento do fluxo irracional de um eterno agora.
Isso não é passado.
Também não é memória.
É a vida como acontecimento
Transcendendo os fatos,
Acontecendo intempestivamente
Através deles....

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

ESQUECIMENTO





Desperdiço a vida com atos banais e corriqueiros.
Quase não deixo rastros, heranças ou grande lembranças.
Estou fadado a um desaparecimento absoluto,
A um silêncio perfeito,
Depois que a morte apagar minha presença.

Pois que não seja de outro modo!
Ninguém escapa ao esquecimento.
Porque haveria de me importar com isso?
Meus atos morrem comigo.
Não devo satisfações a posteridade.

O QUE É A VIDA?


A vida é qualquer outra coisa que me escapa
Ou o mundo se tornou alguma coisa estranha à vida.

A verdade é que ando pasmado,
Vivendo como um quase indigente,
Buscando o raso da mera sobrevivência.

Nada de descobertas e desafios,
Apenas a linha reta da sucessão dos dias.

Tudo é miséria.
Qualquer outra vida é equivalente a minha.
Não há nada de especial na existência.
Vivo como todo mundo
Para morrer como ninguém.



domingo, 3 de fevereiro de 2019

NÃO ESTAMOS VIVOS

Estamos vivos. Mas a  vida quase não vive.
Coletivamente sobrevivemos aos artifícios coletivos e a desfuncionalidade de convenções e consensos sociais.

Adivinhamos suicídios em cada angústia que o dia seguinte acorda. A  intensidade dos sentidos inventa o corpo no gosto das coisas. 

Mas no fundo nós já não existimos, não estamos vivos.
Apenas acontecemos em nossos corpos.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

TUDO É MUDANÇA


Nada é permanente.
Antes mesmo do fim deste instante
Tudo já será diferente.

A vida é fluxo,
Mudança.
Não comporta o teu eu vaidoso,
Indecorosamente egoísta e conservador.

Tudo é mudança,
Escapa, desaparece...

O VENENO DO CONHECIMENTO






O conhecimento e os saberes só tem sentido na medida em que nos mata, em que nos inventa certezas, verdades, modos de sentir, de ver e de agir, configurados pelo conformismo do rebanho e por suas gramáticas morais.

Por outro lado, o conhecimento nos afasta da verdade, do encanto de um mundo previsível e seguro. Ele alimenta a inquietante intuição de que na soma de tudo que é manifesto, nós não existimos.

Penso, logo não sou onde demasiadamente existo.